Magistratura como Sacerdócio: Sérgio Valério toma posse como novo desembargador do TJMT

Sérgio Valério assumirá uma cadeira na Segunda Câmara Criminal do TJMT.

“A magistratura é um sacerdócio, a gente tem que saber que o trabalho nosso tem um cunho social”. Com esta afirmação, o magistrado Sérgio Valério definiu o tom de sua solenidade de posse como desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), realizada na tarde desta sexta-feira (13). A cerimônia coroou uma trajetória de 34 anos de carreira, marcada pela transição de um cargo estável na esfera federal para a realização de um sonho de infância iniciado tardiamente, aos 40 anos de idade.

Natural de Mato Grosso do Sul, onde vendia alfaces na infância para ajudar no orçamento doméstico, Valério relembrou com emoção as dificuldades superadas. Antes da toga, ele atuou no Banco do Brasil e como fiscal federal, mas decidiu abrir mão da segurança financeira para cursar Direito e buscar a vocação de magistrado. Apoiado pela esposa, Raquel Souza Valério, enfrentou os desafios de ingressar na nova carreira com salários menores e as constantes mudanças de comarca, que exigiram resiliência de toda a família.

Em seu discurso, o novo desembargador recordou os anos de trabalho em estruturas precárias no interior do estado. Ele citou passagens marcantes, como o período em Porto dos Gaúchos, onde chegou a realizar audiências à luz de velas e precisou comprar o próprio computador para trabalhar. Essas experiências, segundo ele, apenas reforçaram sua consciência sobre a função social do Judiciário e a necessidade de servir à população com humildade e senso de justiça.

Sérgio Valério assumirá uma cadeira na Segunda Câmara Criminal do TJMT. Autodeclarado um magistrado de postura conservadora e discreta, ele defende que o ordenamento jurídico oferece todas as ferramentas necessárias para a democracia, sem a necessidade de posturas midiáticas. O magistrado atingirá a idade limite de 75 anos em julho deste ano, mas garantiu que chega ao Segundo Grau com o mesmo entusiasmo e compromisso que o guiaram desde sua primeira comarca.

A solenidade também foi um momento de homenagens familiares. Esposa e filhos compartilharam memórias de renúncias e fé, lembrando o bilhete deixado por Raquel no início da jornada: “Pode estudar, juiz de meia tigela”, ao que ele respondeu: “Um dia eu vou ser juiz de verdade”. Hoje, reconhecido por sua atuação conciliadora em diversas comarcas como Cuiabá, Tangará da Serra e Diamantino, Valério ingressa no topo da Corte mato-grossense reafirmando que a magistratura é, acima de tudo, uma missão de vida.

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