Obra da Ferrovia de Mato Grosso avança e aproxima Lucas do Rio Verde da logística ferroviária

Relatório da Rumo aponta evolução do maior projeto ferroviário privado do estado, com investimentos bilionários e previsão de novos trechos operacionais já a partir de 2026

A construção da Ferrovia de Mato Grosso, projeto ferroviário que ligará Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, segue avançando e já alcançou cerca de 80% de execução, consolidando-se como uma das obras logísticas mais importantes para o escoamento da produção agrícola do estado. As informações constam no Relatório de Sustentabilidade 2025 da Rumo S.A., divulgado esta semana pela empresa responsável pela implantação da ferrovia.

O documento reúne resultados operacionais, financeiros e socioambientais da companhia, que responde atualmente por 44% da malha ferroviária brasileira e atua em mais de 500 municípios, operando um sistema logístico com 13,5 mil quilômetros de extensão. Entre os principais investimentos realizados no período está justamente a expansão ferroviária em Mato Grosso, considerada estratégica para a logística do agronegócio nacional.

Ferrovia estratégica para o agronegócio de Mato Grosso

A Ferrovia de Mato Grosso é um projeto totalmente privado que deverá transformar o transporte de grãos no estado. Quando concluída, a linha conectará importantes polos produtores ao sistema ferroviário nacional, ampliando a capacidade de escoamento de commodities agrícolas rumo aos portos brasileiros.

De acordo com o relatório, um dos marcos da obra em 2025 foi a entrega da ponte sobre o Rio Vermelho, estrutura com aproximadamente 460 metros de extensão. A construção representa um avanço significativo na implantação da ferrovia, que terá impacto direto na competitividade da produção agrícola mato-grossense.

A estimativa da Rumo é que o primeiro trecho operacional, entre Rondonópolis e Dom Aquino, entre em funcionamento já em 2026, com capacidade para movimentar cerca de 10 milhões de toneladas por ano. A expansão seguirá em direção ao norte do estado até alcançar Lucas do Rio Verde, um dos principais polos do agronegócio brasileiro.

A chegada da ferrovia ao município é aguardada pelo setor produtivo como um marco para a logística regional, reduzindo custos de transporte e ampliando a eficiência no escoamento de soja, milho e derivados.

Investimentos bilionários impulsionam expansão ferroviária

A construção da Ferrovia de Mato Grosso faz parte de um amplo ciclo de investimentos da Rumo. Em 2025, a companhia destinou R$ 6,1 bilhões para expansão e modernização de sua infraestrutura logística.

O volume de recursos foi direcionado principalmente para três frentes estratégicas: a implantação da ferrovia em Mato Grosso, a recapacitação da chamada Malha Paulista e melhorias no acesso ferroviário ao Porto de Santos, principal corredor de exportação de grãos do país.

Mesmo com o elevado nível de investimentos, a empresa manteve estabilidade financeira. O relatório aponta receita líquida de R$ 13,8 bilhões, Ebitda ajustado de R$ 8 bilhões e lucro líquido ajustado de R$ 2,1 bilhões no exercício de 2025.

Crescimento impulsionado pela safra recorde

O desempenho da companhia também foi influenciado pela safra recorde do Centro-Oeste, que elevou o volume transportado pela ferrovia. Ao longo de 2025, a Rumo movimentou 84,2 bilhões de toneladas por quilômetro útil (TKU), registrando crescimento de 5,4% em relação ao ano anterior.

Segundo o CEO da empresa, Pedro Palma, o período consolidou avanços operacionais importantes.

“Em 2025 atingimos novos patamares de produtividade e eficiência energética, reforçando a contribuição da ferrovia para a logística brasileira”, afirmou.

A companhia também registrou operações inéditas, com o transporte simultâneo de soja, milho e farelo de soja por vários meses consecutivos, refletindo a força da produção agrícola da região.

Ferrovia reduz emissões e aumenta eficiência logística

Outro destaque apontado no relatório é o impacto ambiental positivo do transporte ferroviário. A Rumo registrou melhoria de 3% em eficiência energética, economizando cerca de 12 milhões de litros de diesel e reduzindo em aproximadamente 27 mil toneladas as emissões de CO₂ equivalente.

Segundo a empresa, o transporte ferroviário emite até oito vezes menos carbono por tonelada transportada quando comparado ao modal rodoviário, reforçando o papel da ferrovia como alternativa mais sustentável para o escoamento da produção.

A meta da companhia é alcançar redução de 21,6% nas emissões de gases de efeito estufa até 2030, tendo atingido em 2025 uma redução acumulada de 14,56%.

Tecnologia e inovação no transporte ferroviário

A modernização tecnológica também faz parte da estratégia da empresa. Sistemas de otimização de condução ferroviária já estão presentes em 90% das viagens, reduzindo o consumo de combustível em cerca de 5% por trajeto.

Outra inovação é a assistente virtual RuTI Maquinista, ferramenta digital utilizada por aproximadamente metade dos maquinistas da companhia, que contribui para eliminar o uso de mais de 1,3 milhão de páginas de papel por ano.

Além disso, a empresa iniciou testes com sistemas avançados de controle de tráfego ferroviário e passou a utilizar conectividade via satélite em trens, ampliando a segurança e a eficiência operacional.

Expectativa regional pela chegada da ferrovia a Lucas do Rio Verde

A expansão da Ferrovia de Mato Grosso até Lucas do Rio Verde é acompanhada com expectativa por produtores, cooperativas e empresas ligadas ao agronegócio. O município é considerado um dos principais polos de produção agrícola do país e deverá se tornar um ponto estratégico no novo corredor logístico ferroviário.

Com a ferrovia conectando a região ao sistema nacional de transporte e aos portos de exportação, a expectativa é de redução de custos logísticos, aumento da competitividade internacional dos grãos brasileiros e fortalecimento da economia regional.

Google Notícias
Siga o CenárioMT

Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.