Com início das chuvas, Vigilância em Saúde alerta população para o combate ao Aedes aegypti em Lucas do Rio Verde

Mesmo com queda recente de 50% nos casos suspeitos, município já registra mais de 1.600 notificações de dengue em 2026 e enfrenta a circulação de novo sorotipo.

O retorno do período chuvoso acende um alerta vermelho para a saúde pública em Lucas do Rio Verde. A Supervisora da Vigilância em Saúde do município, enfermeira Cláudia Engelmann, reforça a necessidade de a população intensificar a vistoria em quintais e residências para eliminar possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.

Apesar de o município registrar uma redução de cerca de 50% nos casos suspeitos semanais nas últimas três semanas, o cenário ainda exige atenção extrema. No acumulado do ano, Lucas do Rio Verde já ultrapassou a marca de 1.600 notificações da doença, mantendo uma média de 30 a 35 novos casos semanais, além do registro de internações com sinais de alarme e casos graves.

Um dos fatores que agrava a situação epidemiológica este ano é a circulação do sorotipo 3 da dengue. Por não circular há bastante tempo na região, grande parte da população não possui imunidade contra essa cepa, o que favorece a proliferação e a gravidade dos quadros clínicos.

Somam-se a isso as mudanças climáticas e as elevadas temperaturas, que aceleram a proliferação do vetor até mesmo em ambientes antes não convencionais, como fossas e locais com água não limpa.

Atenção Especial às Calhas e Lixo Doméstico

Com o início das chuvas, a verificação das calhas prediais torna-se crucial. A acúmulo de folhas e sujeira impede o escoamento da água, transformando o local em um criadouro de difícil visualização. Como os agentes de endemias não conseguem realizar a inspeção física do alto de todas as residências, a manutenção do caimento e a limpeza das calhas são responsabilidade direta dos moradores.

Outros vilões conhecidos continuam exigindo atenção diária:

Lixo doméstico descartado incorretamente;

Lonas e utensílios expostos no quintal que possam acumular água;

Pneus, garrafas e recipientes sem tampa.

Denúncias e Responsabilidade em Imóveis Fechados ou Alugados

Para garantir a cobertura do combate em locais inacessíveis, a Vigilância em Saúde tem utilizado tecnologias como drones para mapear imóveis fechados e identificar focos. No entanto, a colaboração dos vizinhos é fundamental.

Moradores que identificarem quintais com acúmulo de lixo ou potenciais focos em imóveis vizinhos podem acionar a Vigilância em Saúde por meio da Ouvidoria Municipal ou pelo telefone (65) 3548-2508.

Após a denúncia, a equipe realiza a busca pelo responsável no cadastro tributário do município:

Imóveis Alugados: A fiscalização notifica primeiramente o inquilino quando se trata de problemas simples de limpeza.

Estrutura e Imóveis Fechados: O proprietário cadastrado é notificado e possui até 48 horas para apresentar resposta ou sanar o problema. O descumprimento pode acarretar penalidades, como aplicação de multas e até ingresso forçado no local.

Ações Públicas e Vacinação

A Prefeitura vem executando um conjunto de ações integradas, que inclui mutirões de limpeza com a Secretaria de Obras, notificação de terrenos baldios pela Secretaria de Meio Ambiente e a instalação de ovitrampas para monitorar a densidade populacional do mosquito.

Além disso, estão sendo implantadas estações disseminadoras de larvicida em pontos estratégicos, como borracharias e ferros-velhos.

No âmbito da imunização, o município reforça que a vacina contra a dengue continua disponível na rede pública para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.

“O combate ao mosquito não é uma tarefa fácil, especialmente com as mudanças climáticas, mas o empenho coletivo é a nossa principal arma. Precisamos que a população receba os agentes de endemias e faça a sua parte dentro de casa”, conclui Cláudia Engelmann.

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