Chikungunya supera dengue em 2025 e acende alerta para 2026 em Lucas do Rio Verde

O ano de 2025 terminou com um cenário de atenção redobrada para as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti em Lucas do Rio Verde. Dados consolidados pela Vigilância Epidemiológica do município mostram que, embora a dengue continue presente, foi a chikungunya que se destacou ao longo do ano, tanto em número de notificações quanto em casos confirmados.

De acordo com a coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Rita de Fátima Tonhi, foram registradas 1.588 notificações de dengue em 2025, considerando casos suspeitos, positivos e descartados. Deste total, 268 tiveram confirmação laboratorial. No período, foi registrado um óbito, envolvendo uma idosa acamada, que testou positivo para dengue. Segundo a Vigilância, a doença foi apenas um dos fatores que contribuíram para o agravamento do quadro clínico da paciente, que já apresentava outras comorbidades.

A chikungunya, por sua vez, apresentou números mais expressivos. Ao longo de 2025, o município contabilizou 1.769 notificações, das quais 808 foram confirmadas. O volume de casos fez com que a doença se sobressaísse em relação à dengue, tanto pela incidência quanto pela gravidade dos sintomas apresentados pelos pacientes.

“A chikungunya acaba acometendo muito mais o paciente. O manejo é mais demorado, porque ela causa dores intensas nas articulações, compromete a mobilidade e o paciente permanece sintomático por mais tempo do que na dengue”, explica Rita. Segundo ela, esse cenário também impactou diretamente a rede de saúde, com sobrecarga nas unidades básicas e afastamento de profissionais que contraíram a doença.

Comparativo mostra avanço expressivo em relação a 2024

Na comparação com o ano anterior, os dados reforçam o avanço das arboviroses em 2025. Em 2024, Lucas do Rio Verde registrou 464 notificações de dengue, com 303 casos positivos. Já a chikungunya teve número significativamente menor, com 11 notificações, sendo nove confirmações. Em ambos os anos, não houve registro de casos de zika no município.

Somente na última semana epidemiológica de 2025, foram 13 notificações de dengue, com dois casos confirmados. Já na primeira semana epidemiológica de 2026, o município já contabilizava 11 notificações suspeitas da doença. Em relação à chikungunya, o ano começou com uma notificação, enquanto, no mesmo período de 2025, haviam sido cinco notificações, com duas confirmações.

Notificações se concentram onde há maior procura por atendimento

Os bairros Bandeirantes e Jaime Seiti Fujii aparecem com maior número de notificações, segundo a Vigilância Epidemiológica. No entanto, Rita faz questão de esclarecer que isso não significa, necessariamente, maior concentração de focos do mosquito nessas regiões.

“São bairros onde a população procura mais atendimento, então os casos são notificados e chegam até nós. Isso não quer dizer que o foco esteja ali”, explica. Ela destaca que a dinâmica da transmissão dificulta a identificação exata do local de contágio, já que muitas pessoas passam boa parte do dia fora de casa, no trabalho ou em outros bairros.

Atenção aos sintomas e prevenção continuam sendo essenciais

Apesar de menos letal que a dengue em termos estatísticos, a chikungunya pode evoluir para quadros graves, especialmente quando há demora na busca por atendimento médico. Idosos, crianças e adolescentes estão entre os grupos mais vulneráveis à piora do quadro clínico.

“O risco aumenta quando a pessoa se automedica e procura ajuda apenas quando o quadro já está agravado”, alerta Rita. Ela lembra que o estado de Mato Grosso registrou óbitos por chikungunya em outros municípios, o que reforça a necessidade de atenção tanto da população quanto dos profissionais de saúde.

Para 2026, as orientações seguem basicamente as mesmas, com reforço na eliminação de criadouros do mosquito. Além dos quintais, a Vigilância chama atenção para locais que muitas vezes passam despercebidos, como calhas, ralos, banheiros pouco utilizados e recipientes que acumulam água dentro das residências.

“A maior parte do cuidado ainda depende da população. Cada ano o foco muda de bairro, então todos precisam cuidar. A prevenção é o caminho para evitar novos casos e, principalmente, óbitos”, conclui a coordenadora.

Google Notícias
Siga o CenárioMT

Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.