Exportações de milho de MT sobem em dezembro, mas safra recua

Estado embarcou 3,66 milhões de toneladas em dezembro de 2025, segundo Secex e Imea, porém vendas do ano-safra mostram retração frente ao ciclo anterior.

As exportações de milho de Mato Grosso alcançaram 3,66 milhões de toneladas em dezembro de 2025, volume significativamente superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. O resultado imediato foi a retomada do ritmo dos embarques no fechamento do ano, conforme dados oficiais divulgados nesta semana.

As informações constam nos números da Secretaria de Comércio Exterior, compilados e analisados pelo Imea, que apontam crescimento expressivo na comparação anual apenas para o mês de dezembro. O desempenho, no entanto, muda de leitura quando o recorte passa a ser o ano-safra do cereal.

Considerando o período de julho a dezembro da safra 2024/2025, as vendas externas acumuladas somaram 20,36 milhões de toneladas, o que representa queda de 5,16% em relação ao mesmo intervalo da safra anterior. O dado revela que, apesar do pico pontual no fim do ano, o volume total exportado perdeu fôlego ao longo do semestre.

Segundo a análise técnica, o recuo está diretamente ligado à maior competitividade no mercado internacional. A ampliação da produção em países tradicionalmente exportadores, como Estados Unidos e Argentina, ampliou a oferta global e pressionou a participação do milho mato-grossense nos embarques.

Logística e disputa por espaço nos portos

Outro fator que interferiu no fluxo das exportações foi a logística. A maior demanda da China pela soja brasileira acabou impactando o cronograma de envio do milho, atrasando embarques e reduzindo o ritmo de escoamento ao longo do segundo semestre, conforme o relatório.

Mesmo diante desse cenário, alguns mercados mantiveram peso relevante nas compras do cereal produzido no estado. Egito, Irã e Vietnã aparecem como os principais destinos do milho mato-grossense na atual safra, respondendo juntos por 44,76% do volume exportado até o momento.

Mercado interno e avanço das vendas

No mercado doméstico, a comercialização da safra 2024/2025 avançou de forma consistente. Em dezembro, 88,29% da produção já havia sido negociada, movimento atribuído à valorização do milho e à necessidade dos produtores de liberar espaço nos armazéns para a colheita da soja.

O preço médio mensal ficou em R$ 48,30 por saca, com leve alta em relação ao mês anterior. Apesar do avanço nas vendas, o patamar de comercialização segue abaixo da média observada nas últimas cinco safras, indicando cautela dos produtores diante do cenário externo mais competitivo.

Já a safra 2025/2026 alcançou 29,23% da produção estimada negociada até dezembro. O preço médio ficou em R$ 45,95 por saca, também com valorização mensal, embora o volume de vendas permaneça abaixo do histórico recente.

De acordo com o Imea, os próximos meses devem ser decisivos para a formação dos preços, especialmente em função do andamento da semeadura e do comportamento do mercado internacional. Os dados têm como base informações da Secretaria de Comércio Exterior, consolidadas pelo instituto.

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