A expressiva expansão das usinas produtoras de etanol de milho em Mato Grosso poderá demandar aportes financeiros de até R$ 14,3 bilhões voltados à implantação de novas florestas energéticas. A projeção aponta a necessidade de incorporar cerca de 218 mil hectares de eucalipto para suprir a demanda industrial por biomassa até o ano de 2030.
Os dados integram o estudo intitulado “O desafio da biomassa para o etanol de milho”, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. O levantamento indica que a capacidade instalada de produção do biocombustível no estado poderá saltar de 6,9 bilhões de litros em 2025 para impressionantes 11,9 bilhões de litros ao término da década.
O processo industrial de fabricação do etanol de milho consome intensa energia térmica, exigindo que as plantas utilizem biomassa — majoritariamente madeira de eucalipto — para alimentar as caldeiras responsáveis pela geração de vapor:
- Projeção de Área e Investimentos: Atualmente, o estado conta com aproximadamente 165 mil hectares de eucalipto plantado. Com o crescimento fabril, o total necessário pode alcançar 383 mil hectares. O custo estimado é de R$ 35 mil por hectare em um ciclo de 13 anos, exigindo um investimento inicial de R$ 7,6 bilhões na média ou até R$ 14,3 bilhões em cenários de menor eficiência.
- Disputa por Biomassa: O setor enfrentará concorrência direta de esmagadoras de soja, frigoríficos e secadores de grãos. Além disso, a legislação estadual prevê a redução progressiva — zerando a partir de 2035 — da utilização industrial de biomassa oriunda de supressão de vegetação nativa.
Como alternativas para mitigar a pressão sobre o eucalipto, o estudo aponta o uso de capins energéticos, bambu, resíduos agroindustriais e melhorias na eficiência das caldeiras. No entanto, especialistas ressaltam que o planejamento deve ser antecipado, visto que o primeiro ciclo de corte florestal ocorre anos após o plantio em Mato Grosso.
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