Diagnóstico da 3ª Expedição Fluvial alerta para poluição crítica e crise social no Rio Cuiabá

Relatório aponta impactos ambientais e dificuldades sociais ao longo da bacia do rio Cuiabá após expedição.

Um novo diagnóstico apresentado na Assembleia Legislativa de Mato Grosso expõe um cenário preocupante sobre a situação ambiental e social do Rio Cuiabá. O levantamento, fruto da 3ª expedição fluvial, percorreu cerca de 900 quilômetros entre o Rio Manso e o Pantanal para analisar as condições da bacia. Embora o relatório aponte a existência de áreas com vegetação ciliar ainda preservada, os problemas críticos de poluição e descarte irregular de resíduos sólidos nas margens acendem um alerta sobre a degradação acelerada do curso d’água.

A precariedade do saneamento básico surge como um dos maiores gargalos, especialmente nos municípios de Cuiabá e Várzea Grande. O lançamento de esgoto doméstico sem o devido tratamento diretamente no rio compromete a qualidade da água e o equilíbrio do ecossistema. Além disso, o relatório destaca os impactos causados por empreendimentos hidrelétricos, que alteram a dinâmica natural do rio, interferindo no regime de cheias e na retenção de sedimentos, o que gera reflexos diretos na biodiversidade do Pantanal e na disponibilidade hídrica futura.

No âmbito social, o diagnóstico revela uma crise profunda entre as comunidades ribeirinhas e os pescadores artesanais. Durante o percurso, a equipe registrou queixas frequentes sobre a queda de renda, o atraso no pagamento do seguro-defeso e a insegurança jurídica provocada por novas normas que restringem a atividade pesqueira. Existe uma rejeição quase unânime à instalação de novas usinas na bacia, uma vez que os moradores ainda relatam prejuízos acumulados desde a construção da barragem de Manso, que mudou permanentemente o modo de vida local.

O levantamento também denuncia a ausência de políticas públicas efetivas em regiões mais isoladas, onde faltam infraestrutura básica, acesso a água potável, saúde e educação. Diante desses dados, o diagnóstico deve agora orientar ações no Poder Legislativo, servindo de base para propostas que busquem ampliar os investimentos em gestão hídrica e saneamento. A conclusão do relatório é clara: a sobrevivência do Rio Cuiabá depende de decisões urgentes e integradas entre o poder público e a sociedade civil para garantir a sustentabilidade da bacia.

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