O Dia Mundial de Conscientização sobre Acessibilidade, celebrado em 21 de maio, trouxe debates no Poder Judiciário de Mato Grosso (PJMT) sobre inclusão, empatia e adaptação no ambiente corporativo.
Para além de dados técnicos, a data lança luz sobre os desafios diários de servidores que conciliam a dedicação à Justiça com as demandas de cuidados familiares complexos.
É o caso de Adriana Ferreira de Souza, servidora do Tribunal de Justiça há mais de 27 anos. Atualmente lotada na Secretaria da Vice-Presidência, no Núcleo de Gerenciamento de Precedentes e de Ações Coletivas (Nugepnac), Adriana vivencia a realidade da maternidade atípica no suporte à sua filha, Maria Clara Souza Campos, de 23 anos, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras comorbidades.
A realidade sem romantização e o papel das terapias
O diagnóstico de Maria Clara trouxe respostas que permitiram estruturar uma rotina contínua de terapias e consultas médicas. Embora o acompanhamento multidisciplinar tenha sido decisivo para que a jovem desenvolvesse habilidades sociais e encontrasse na arte uma rota de expressão, Adriana ressalta que o cotidiano exige desdobramentos intensos.
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Rotina Adaptativa: Necessidade de reorganização constante da vida pessoal e profissional em função das crises ou necessidades da filha;
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Gestão de Saúde Integral: O desafio de equilibrar a produtividade no trabalho com as demandas domésticas, sem negligenciar a própria saúde física, mental e psicológica da cuidadora.
“Não tem como romantizar, porque a demanda é diferente. Ser mãe atípica é exercer a maternidade na sua forma mais visceral”, relata a servidora.
O impacto da Resolução nº 7 no equilíbrio familiar
O cenário de sobrecarga enfrentado por Adriana e outros servidores encontrou um importante ponto de equilíbrio com a consolidação da Resolução TJMT/OE nº 7, de 22 de junho de 2023. O dispositivo legal regulamentou as condições especiais de trabalho para magistrados e servidores com deficiência ou que possuam dependentes legais nessa condição.
A flexibilização e o suporte institucional garantiram que a servidora mantivesse seus níveis de entrega no Nugepnac, assegurando simultaneamente a presença física que confere segurança emocional a Maria Clara.
Para a servidora, avanços como esse refletem uma mudança de cultura organizacional que capacita as lideranças a enxergarem as peculiaridades dos servidores sob uma ótica humanizada, compreendendo que a acessibilidade vai muito além da eliminação de barreiras físicas e arquitetônicas.
Comissão realiza censo de acessibilidade no PJMT
Aproveitando o ecossistema de discussões da data, a Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Poder Judiciário de Mato Grosso está coordenando uma pesquisa diagnóstica em todo o estado.
O levantamento digital é direcionado a magistrados, servidores, estagiários e colaboradores terceirizados. A coleta de dados visa mapear gargalos de infraestrutura, barreiras de comunicação e necessidades tecnológicas em cada comarca, municiando a administração com indicadores para o planejamento de reformas estruturais e treinamentos inclusivos.
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