A preservação da história institucional e o resgate da identidade cultural ganharam um novo impulso por meio da integração de acervos públicos no estado. O Centro de Memória do Poder Judiciário Desembargador Ângelo Francisco Ramos recebeu representantes de instituições integrantes da Rede de Memória do Estado para fortalecer ações de preservação, pesquisa e difusão do patrimônio documental. A iniciativa integra as metas do Acordo de Cooperação nº 1/2025 e busca ampliar o acesso direto da sociedade aos acervos históricos.
Durante a visita técnica, os participantes conheceram documentos raros, processos judiciais de séculos passados, livros cartorários e objetos preservados pelo Tribunal de Justiça, incluindo registros manuscritos que remontam à década de 1870 e materiais raros anteriores à instalação do Tribunal da Relação.
Integração de acervos facilita pesquisas históricas interligadas
A cooperação mútua entre os órgãos públicos permite aproximar coleções documentais mantidas por diferentes instituições (como museus, universidades e arquivos públicos), facilitando pesquisas acadêmicas e fortalecendo a preservação da memória histórica regional. Segundo o Tribunal, a integração favorece a identificação de documentos relacionados entre si, mesmo quando as partes de um mesmo fato histórico estão distribuídas em acervos e prédios distintos.
Além da salvaguarda física dos papéis, a iniciativa busca estimular visitas guiadas de estudantes de ensino fundamental e médio, pesquisadores universitários e do público em geral, ampliando o conhecimento da população sobre a trajetória do Judiciário e da evolução da sociedade.
Antigo Palácio da Justiça abriga processos e relíquias do estado
Instalado no antigo Palácio da Justiça, no centro histórico de Cuiabá — um prédio tombado como patrimônio histórico e arquitetônico de Mato Grosso —, o Centro de Memória concentra todo o arquivo histórico do TJMT e sedia uma exposição permanente sobre a evolução da Justiça estadual.
O acervo reúne processos judiciais célebres, livros de posse, fotografias de época e equipamentos tecnológicos obsoletos que retratam diferentes períodos da história mato-grossense. Entre as relíquias preservadas e catalogadas, destaca-se o processo original de desapropriação da área onde foi construído o antigo Estádio Governador José Fragelli, conhecido popularmente como “Verdão”, atual local que abriga a Arena Pantanal.
Os principais focos e objetivos estratégicos da Rede de Memória do Estado foram organizados na tabela abaixo:
| Eixo de Atuação | Ações Práticas Desenvolvidas | Impacto para a Sociedade |
|---|---|---|
| Preservação Documental | Higienização, restauração e digitalização de autos | Garantia de perenidade de registros da década de 1870 |
| Rede de Integração | Intercâmbio de dados com base no Acordo nº 1/2025 | Facilidade para historiadores localizarem fontes cruzadas |
| Difusão Cultural | Exposições permanentes e visitas escolares monitoradas | Aproximação do cidadão com a história do Judiciário |
| Pesquisa Multidisciplinar | Disponibilização de processos históricos para consulta | Subsídio para teses em Direito, História e Sociologia |
Acervo serve de fonte científica para diversas áreas do conhecimento
Os registros seculares sob a guarda do tribunal permitem compreender detalhadamente aspectos jurídicos, políticos, econômicos e sociais de diferentes épocas da província e do estado, servindo como fonte primária para estudos avançados nas áreas de História, Direito, Sociologia e Antropologia. A análise dos documentos também contribui para contextualizar transformações urbanas e agrárias ocorridas ao longo do desenvolvimento de Mato Grosso.
Criado originalmente durante as comemorações dos 150 anos do Tribunal de Justiça, o Centro de Memória tem como missão institucional organizar e divulgar a história do Poder Judiciário estadual. A unidade segue rigidamente as diretrizes do Programa Nacional de Gestão Documental e Memória do Poder Judiciário (Proname), do CNJ, mitigando os riscos de perda ou deterioração do patrimônio público. Para agendar visitas guiadas, consultar acervos digitalizados e acompanhar projetos culturais, acesse a página oficial do Tribunal de Justiça.
Reportagem baseada em atas de visita técnica da Rede de Memória do Estado, diretrizes de preservação do Acordo de Cooperação nº 1/2025 e manuais de gestão de acervos históricos emitidos pelo Centro de Memória do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
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