Denúncia contra Coren-MT por supostos desvios e fraude eleitoral é levada à Polícia Federal

Representação protocolada na PF, CGU e MPF pede investigação sobre supostos desvios, irregularidades administrativas e eleições internas do Coren-MT.

Uma grave denúncia administrativa e financeira coloca sob os refletores a gestão de uma das principais autarquias de classe do estado. Funcionários do Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren-MT) protocolaram, nesta semana de julho de 2026, representações formais perante a Polícia Federal (PF), a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Ministério Público Federal (MPF). O documento aponta supostos desvios de recursos públicos, irregularidades em contratos institucionais e indícios de manipulação nas últimas eleições internas da entidade.

A iniciativa dos servidores busca forçar uma auditoria externa e independente nos atos fiscais e políticos promovidos nos últimos anos pela gestão da autarquia, que é mantida por meio de contribuições obrigatórias dos profissionais de saúde.

Aluguel de sede milionária sem licitação é alvo de contestação de servidores

Na representação encaminhada aos órgãos federais de fiscalização, os denunciantes solicitam que as autoridades apurem de forma rigorosa as condutas adotadas por integrantes da atual diretoria executiva do Coren-MT e de membros do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).

Entre os episódios mais detalhados na denúncia destaca-se a contratação do imóvel comercial de alto padrão que abriga a atual sede administrativa da autarquia, localizado no bairro Jardim Cuiabá, na capital. De acordo com o documento, o contrato de locação teria sido firmado com dispensa de licitação em um prazo inferior a 90 dias após a posse da atual diretoria, ostentando um custo operacional muito superior ao que era pago na sede anterior. Os servidores apontam que o Coren-MT possui um prédio próprio no bairro Goiabeiras que foi completamente desocupado e permanece sem utilidade pública.

Contrato imobiliário prevê multa de R$ 660 mil aos cofres do Coren-MT

Os termos financeiros da locação no Jardim Cuiabá também geraram forte preocupação técnica nos órgãos de controle interno. Conforme revelado pela denúncia, o contrato estabelece uma cláusula que prevê a opção de compra definitiva do imóvel pelo valor expressivo de R$ 6,6 milhões.

Contudo, caso a compra não seja efetivada ao término do período estipulado, o Coren-MT poderá ser penalizado com o pagamento compulsório de uma multa rescisória contratual equivalente a 10% do valor total do negócio jurídico. O desembolso de R$ 660 mil apenas a título de penalidade é classificado pelos denunciantes como um potencial prejuízo injustificado ao erário e às contas da autarquia.

Os principais pilares da denúncia protocolada na esfera federal foram sintetizados a seguir:

  • Contratação Suspeita: Locação de sede de alto padrão sem licitação nos primeiros meses de mandato;
  • Patrimônio Ocioso: Prédio próprio de propriedade do conselho no bairro Goiabeiras abandonado;
  • Risco Patrimonial: Cláusula de multa de R$ 660 mil caso o conselho não adquira o imóvel locado;
  • Suspeita Eleitoral: Relatos de boicote digital e falhas graves no sistema eletrônico de votação.

Três órgãos federais vão apurar bloqueio de votos em eleição do conselho

Outro ponto crítico submetido ao escrutínio da Polícia Federal e do Ministério Público Federal refere-se às eleições internas da autarquia realizadas no ano de 2023. O relatório compilado aponta que dezenas de profissionais de enfermagem regularmente inscritos relataram instabilidades severas e impedimentos eletrônicos no momento de exercer o voto.

Os trabalhadores alegam que o acesso ao sistema oficial de votação foi bloqueado sem justificativa técnica e que houve impossibilidade de conclusão do voto eletrônico no site oficial. Diante dos fatos, os denunciantes solicitam uma perícia de informática na plataforma digital para apurar se houve interferência humana ou fraude no pleito.

Até a publicação desta reportagem, a diretoria do Coren-MT e as lideranças do Cofen citadas na peça de acusação não haviam emitido manifestações oficiais sobre o teor das representações. O prosseguimento das investigações e a eventual abertura de inquéritos civis e criminais dependerão da análise técnica preliminar das assessorias jurídicas da PF, da CGU e do MPF. Para acompanhar os desdobramentos desta investigação de contas públicas, decisões de conselhos de classe e ações de fiscalização federal no estado, acesse o portal de notícias de Mato Grosso.

Reportagem baseada em representações de denúncia administrativa protocoladas de forma oficial nas superintendências da Polícia Federal (PF), da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério Público Federal (MPF) em Mato Grosso.

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