Polícia Civil prende suspeito de sextorsão em Cuiabá

Investigado usava aplicativos de relacionamento para extorquir homens com ameaças de exposição íntima.

Polícia Civil prende suspeito de sextorsão em Cuiabá nesta quarta-feira (28), conforme divulgado oficialmente pela Polícia Civil de Mato Grosso. O homem, de 30 anos, foi localizado nas proximidades da Rodoviária de Cuiabá após investigação da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO). Segundo a corporação, ele é investigado por praticar crimes de extorsão contra homens homossexuais por meio de aplicativos de relacionamento.

De acordo com a apuração da reportagem junto à Polícia Civil, o mandado de prisão preventiva foi decretado pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias da Comarca de Cuiabá. A decisão judicial também autorizou busca e apreensão domiciliar, quebra de sigilo telemático e o bloqueio de valores de até R$ 40 mil, medida considerada necessária para interromper a continuidade dos crimes.

Como funcionava o esquema de sextorsão

Conforme detalhado em nota oficial da Polícia Civil, o investigado utilizava plataformas como Scoka, Bate-Papo UOL e Grindr para se aproximar das vítimas. Após estabelecer conversas de cunho íntimo, ele obtinha informações pessoais e conteúdos sensíveis, que posteriormente eram usados como instrumento de ameaça.

Segundo os investigadores, a sextorsão seguia um padrão: o suspeito exigia transferências via Pix para não divulgar imagens ou vídeos íntimos. Os valores, conforme confirmado pela autoridade policial, eram depositados em contas de terceiros, estratégia comum para dificultar o rastreamento financeiro.

Vítimas identificadas e avanço das investigações

Até o momento, sete vítimas foram formalmente identificadas pela GCCO. A Polícia Civil informou que novas vítimas podem surgir após a divulgação da prisão, já que o suspeito atuava de forma reiterada. As investigações começaram após o registro de boletins de ocorrência, o que permitiu cruzar dados e identificar o padrão criminoso.

Durante o interrogatório, o homem confessou a prática dos crimes. Ele afirmou que gravava vídeos das vítimas durante encontros presenciais, sem consentimento, utilizando esse material posteriormente para extorsão — conduta tipificada no Código Penal como extorsão, com agravantes quando há ameaça de divulgação de conteúdo íntimo.

O que diz a lei

No Brasil, a sextorsão é enquadrada como crime de extorsão (art. 158 do Código Penal). Quando envolve registro ou divulgação não consentida de intimidade sexual, pode haver enquadramento adicional conforme o Marco Civil da Internet e a Lei nº 13.718/2018, que trata da divulgação de cena de nudez ou ato sexual sem consentimento.

  • Crime de extorsão: pena de 4 a 10 anos de reclusão
  • Agravantes quando há uso de meios digitais
  • Possibilidade de indenização às vítimas

Encaminhamento judicial

Após o cumprimento do mandado, o suspeito foi conduzido à unidade policial, passou por audiência de custódia e permanece à disposição da Justiça. A Polícia Civil reforça que vítimas de sextorsão em Cuiabá podem procurar a delegacia para registrar ocorrência, inclusive de forma sigilosa.

Reportagem baseada em informações oficiais da Polícia Civil de Mato Grosso.

Se você foi vítima ou possui informações que possam auxiliar as investigações, procure a Polícia Civil.

Google Notícias
Siga o CenárioMT

Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.