Polícia Civil cumpre 48 ordens contra fraude em Cuiabá e VG

Operação Interface cumpre mandados de prisão e busca em Cuiabá e Várzea Grande contra grupo investigado por aplicar o golpe do Falso Executivo.

A Polícia Civil de Mato Grosso cumpre, na manhã desta terça-feira (9), 48 ordens judiciais em Cuiabá e Várzea Grande durante a Operação Interface, ação interestadual voltada ao combate de uma organização criminosa investigada por aplicar o golpe do “Falso Executivo”. A ofensiva foi deflagrada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul e inclui mandados de prisão, busca e apreensão, além do bloqueio de contas bancárias dos investigados.

Em Mato Grosso, os trabalhos são coordenados pela Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá, responsável pelo cumprimento de 32 mandados de busca e apreensão e 16 mandados de prisão. A operação conta com apoio da DHPP, da Derf Cuiabá, da DERFVA e da 2ª Delegacia de Polícia de Cuiabá.

Segundo a Polícia Civil, a investigação conduzida pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, no Rio Grande do Sul, identificou uma rede criminosa com atuação em Mato Grosso e no Rio Grande do Norte. O grupo utilizava contas de terceiros, conhecidas como “conteiros”, e técnicas de pulverização financeira para dificultar o rastreamento dos recursos obtidos por meio dos golpes.

As apurações apontam que uma empresa do setor industrial gaúcho sofreu prejuízo superior a R$ 193 mil após criminosos se passarem por executivos da companhia por meio de aplicativos de mensagens. Conforme a investigação, uma assistente financeira realizou transferências acreditando receber determinações legítimas do presidente da empresa, cujo perfil havia sido falsamente reproduzido pelos suspeitos.

De acordo com a Polícia Civil, os valores transferidos foram distribuídos entre diversas contas bancárias. A fraude só foi percebida dias depois, quando a vítima verificou que o número utilizado nas mensagens não correspondia ao telefone verdadeiro do executivo.

As diligências indicaram que a execução do golpe ocorreu a partir da região de Cuiabá. A investigação também identificou diferentes funções dentro da estrutura criminosa, incluindo responsáveis pelo recrutamento de titulares de contas bancárias, gerentes do esquema e os articuladores da fraude. Os suspeitos, segundo a polícia, possuem antecedentes por crimes semelhantes.

O delegado Bruno Palmiro, da Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá, explicou que a pulverização financeira é utilizada para retardar bloqueios judiciais e dificultar a identificação dos beneficiários finais dos valores desviados. Já a delegada Luciane Bertoletti, responsável pelas investigações, destacou que os criminosos utilizam informações públicas, fotografias e dados corporativos para criar perfis falsos convincentes e induzir funcionários a realizar pagamentos indevidos.

Operação integra estratégia de combate a fraudes eletrônicas

Segundo a Polícia Civil, a Operação Interface integra as ações da Operação Pharus, planejamento estratégico da instituição para 2026. A iniciativa busca fortalecer o enfrentamento aos grupos especializados em fraudes eletrônicas por meio da integração entre unidades policiais, órgãos de inteligência e instituições financeiras.

A Polícia Civil orienta empresas a adotarem protocolos de validação para transferências bancárias, especialmente em situações que envolvam alterações de contas, pagamentos urgentes ou valores elevados. A recomendação é que movimentações financeiras relevantes sejam confirmadas por mais de um canal de comunicação e, sempre que possível, diretamente com o responsável pela solicitação.

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