PF investiga ministro do STJ por suposta ligação com lobista de Mato Grosso

A Polícia Federal investiga o ministro Moura Ribeiro, do STJ, por suspeita de ligação com um lobista de Mato Grosso em apuração sobre suposta venda de sentenças.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a cúpula do Judiciário nacional enfrentam desdobramentos de uma apuração de grande impacto institucional. A Polícia Federal (PF) confirmou a abertura de investigação formal contra o ministro Paulo Dias de Moura Ribeiro, do STJ, por suposta ligação com o lobista mato-grossense Andreson de Oliveira Gonçalves e com a advogada Mirian Ribeiro Gonçalves em um esquema sob suspeita de venda de decisões judiciais. A inclusão do magistrado no inquérito foi autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A apuração debruça-se sobre a atuação de redes de influência no tribunal superior e sobre repasses financeiros direcionados a servidores públicos lotados no gabinete do magistrado.

PF mapeia repasses a ex-servidor do STJ e apura 10 processos sob suspeita

De acordo com o relatório parcial encaminhado pela Polícia Federal ao STF, os investigadores identificaram indicativos de irregularidades em pelo menos dez processos sob relatoria do ministro Moura Ribeiro. A suspeita central é de favorecimento à advogada Mirian Ribeiro Gonçalves em decisões do tribunal.

Entre os episódios destacados pela pericia, está uma ação de reintegração de posse de uma propriedade rural em Mato Grosso. Segundo a PF, o entendimento do ministro foi alterado após a juntada de uma procuração outorgada em nome da referida advogada. Além disso, foram rastreadas duas transferências bancárias efetuadas pela empresa Florais Transportes, de propriedade de Andreson de Oliveira, para a conta de um técnico judiciário que atuava no gabinete do ministro entre 2019 e 2021.

Ministro pediu PAD e exonerou servidor; STF amplia escopo de quebras de sigilo

Após a identificação de pedidos antecipados de votos direcionados a outros gabinetes, o próprio ministro Moura Ribeiro solicitou a instauração de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o técnico judiciário, culminando na exoneração do funcionário. Em nota oficial, o magistrado afirmou que desconhecia a existência do inquérito no STF que o citava diretamente.

A decisão do ministro Cristiano Zanin permitiu o aprofundamento das diligências sobre o gabinete e autorizou novos pedidos de acesso a informações de empresas e movimentações financeiras de parentes do ministro, visando checar eventual fluxo de vantagens indevidas.

Os principais pontos levantados pela investigação do STF e da Polícia Federal foram organizados no quadro a seguir:

Elemento Investigado Evidências / Indícios Apontados Origem / Envolvidos Medidas Autorizadas (STF)
Decisões sob Suspeita Mudança de posicionamento e revisão de votos (10 processos) Reintegração de posse de fazenda em Mato Grosso Análise de acesso ao sistema interno do STJ
Repasses Financeiros Transferências de empresa de transportes para ex-servidor Florais Transportes (Andreson de Oliveira) Investigação de empresas e familiares do ministro
Atuação do Gabinete Acesso a votos antecipados e suspeita de vazamentos Técnico judiciário exonerado / PAD instaurado Inclusão formal do ministro no inquérito por Zanin

PF ressalta necessidade de novas diligências para concluir apuração

Em seu relatório, a Polícia Federal ponderou que, na atual fase dos trabalhos, ainda não existem provas conclusivas sobre a participação direta do ministro ou de todos os servidores no esquema, sendo indispensável a realização de novas perícias e oitivas para o encerramento do inquérito.

Para acompanhar o desdobramento de investigações do STF, operações da Polícia Federal e notícias do Poder Judiciário em Mato Grosso, consulte o nosso portal de notícias.

Reportagem baseada em relatórios da Polícia Federal encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF) e decisões judiciais do ministro Cristiano Zanin.

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