Operação Thunderstruck: Polícia Civil de MT mira grupo que deu golpe de R$ 120 mil em venda de carro

Polícia Civil de Mato Grosso cumpre 12 prisões e bloqueia contas ligadas a grupo suspeito de aplicar golpes na venda online de veículos.

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou nesta terça-feira a Operação Thunderstruck para cumprir 12 mandados de prisão preventiva contra suspeitos de aplicar golpes na venda de veículos pela internet. A ação também determinou 15 buscas e apreensões e o bloqueio de 12 contas bancárias, cada uma no valor de R$ 120 mil, totalizando mais de R$ 1,4 milhão em restrições judiciais.

As ordens são executadas no estado de São Paulo, nas cidades de Osasco, São Bernardo do Campo, Itanhaém, Santo André, São Caetano, Diadema e também na capital paulista, com apoio das forças locais. O alvo é um grupo investigado por estruturar fraudes virtuais envolvendo anúncios falsos de automóveis.

A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá, em Mato Grosso, e teve início após o registro de ocorrência feito por uma vítima na capital. Segundo o relato, o comprador foi atraído por um anúncio online e passou a negociar com um suposto vendedor que utilizava identidade falsa.

De acordo com a apuração, o principal investigado apresentava uma narrativa convincente: dizia que o veículo teria sido envolvido em sinistro com transportadora e que, após acordo indenizatório, precisava vendê-lo com urgência. A história criava um senso de oportunidade e legitimidade, estratégia comum em fraudes digitais. Mas o que parecia apenas uma venda vantajosa escondia um esquema mais amplo.

Durante as tratativas, diferentes interlocutores passaram a contatar a vítima, cada um assumindo um papel distinto — ora como vendedor, ora como representante de transportadora ou funcionário de concessionária. A alternância de personagens reforçava a aparência de regularidade do negócio. Após o envio de comprovantes e até um suposto termo de quitação em papel timbrado, o comprador transferiu R$ 120 mil pelo veículo anunciado.

Rastreamento financeiro

Conforme informações repassadas pela assessoria da Polícia Civil, a quebra de sigilo bancário e telemático permitiu reconstituir o caminho do dinheiro. Segundo o delegado Bruno Mendo Palmiro, o valor foi rapidamente pulverizado em diversas operações de menor porte e redistribuído a múltiplos beneficiários, prática conhecida como “smurfing”.

“A dinâmica evidencia atuação estruturada, com divisão de tarefas e utilização de contas de passagem para dificultar o rastreamento dos valores, característica típica de grupos especializados em estelionatos eletrônicos”, explicou o delegado.

O crime investigado se enquadra como estelionato, previsto no Código Penal, e pode ter desdobramentos à medida que novas vítimas sejam identificadas. A Polícia Civil informou que o material apreendido será analisado para aprofundar a identificação de outros envolvidos e mapear a extensão do esquema. As investigações seguem em andamento, conforme a própria corporação divulgou oficialmente.

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