Operação Replay: apontado como tesoureiro do Comando Vermelho e advogada são alvos de nova fase da Draco em MT

Investigação da Polícia Civil aponta que suspeito continuava comandando as finanças da facção de dentro da cadeia; Justiça bloqueou R$ 15,3 milhões.

Apontado pelas investigações da Polícia Civil como o principal tesoureiro do Comando Vermelho em Mato Grosso, Paulo Witer Soares Farias, conhecido como “W.T.”, foi alvo de um novo mandado de prisão preventiva cumprido nesta quinta-feira (30) de julho de 2026, durante a Operação Replay, deflagrada pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco). Mesmo custodiado dentro do sistema prisional, o investigado continuava comandando o setor financeiro e disciplinar da facção.

Além de W.T., a operação também resultou na prisão da advogada Dayane Karol Moreira. No total, a ofensiva policial cumpre 10 mandados de prisão preventiva contra 14 alvos investigados por integração a organização criminosa e lavagem de dinheiro. As ordens judiciais foram expedidas e executadas simultaneamente em Cuiabá e Várzea Grande, além dos estados de Santa Catarina — nas cidades de Balneário Camboriú e Itapema — e no Rio de Janeiro (RJ).

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Desdobramento de investigações e estratégia de comunicação

Conforme os registros da Polícia Civil, a Operação Replay constitui um desdobramento direto das operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra. A análise aprofundada de dados telemáticos e quebras de sigilo revelou que a estrutura financeira do grupo permaneceu em atividade após as fases anteriores, mantendo divisão rígida de funções, operadores financeiros dedicados, uso de contas de terceiros (“laranjas”) e aquisição de bens de alto valor em nome de pessoas sem capacidade econômica compatível.

De acordo com os relatórios da Draco, mensagens interceptadas demonstram que W.T. exercia forte controle remoto: determinava cobranças, autorizava o recolhimento de valores, orientava comparsas em liberdade, conferia planilhas financeiras da facção, ordenava a distribuição de recursos entre diferentes núcleos e tratava abertamente sobre a movimentação de grandes quantidades de entorpecentes.

As apurações apontaram ainda que um único chip telefônico atribuído ao líder criminoso foi utilizado em sete aparelhos celulares distintos entre setembro de 2025 e março de 2026. A troca constante de dispositivos integrava uma estratégia deliberada para dificultar o rastreamento das comunicações clandestinas e burlar a fiscalização do sistema prisional.

Bloqueio de bens e milhões em sequestro patrimonial

Como forma de desarticular a rede ilícita, a Justiça determinou o bloqueio judicial de até R$ 15,324 milhões em ativos financeiros, além do sequestro de imóveis e veículos luxuosos avaliados em aproximadamente R$ 17,28 milhões.

Segundo a Draco, o objetivo dessas medidas patrimoniais é impedir a ocultação, a conversão ou a transferência de bens adquiridos com o capital do crime, enfraquecendo de forma severa a base econômica da organização. As investigações prosseguem agora para destrinchar a participação dos demais alvos da Operação Replay.

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