Mato Grosso registra mais de 50 feminicídios em 2025

Relatório da Polícia Civil aponta que junho foi o mês mais violento para mulheres em Mato Grosso em 2025, com 10 feminicídios em 30 dias.

Relatório da Polícia Judiciária Civil aponta que Mato Grosso registrou 53 feminicídios em 2025, número 13% maior que o contabilizado em 2024, quando foram confirmados 47 casos. O levantamento indica que junho foi o mês mais violento do ano, com 10 mulheres assassinadas em apenas 30 dias.

De acordo com o monitoramento divulgado pela Diretoria de Inteligência da Polícia Judiciária Civil, os crimes de junho representam quase 20% de todas as mortes registradas no ano. A média mensal de feminicídios no estado foi de 4,4 casos, o que mostra que o número daquele mês mais que dobrou o padrão registrado ao longo de 2025.

O relatório detalha que outros períodos também ficaram acima da média. Em maio foram contabilizados sete casos, enquanto outubro registrou seis assassinatos de mulheres motivados por razões de gênero.

Entre os crimes ocorridos em junho, a Polícia Civil aponta episódios de extrema violência. No início do mês, a servidora Vânia Cristina Benini, de 38 anos, foi morta pelo amante, que não aceitava a gravidez de cinco meses da vítima. No dia 15, em Vera, Paulina Santana, de 52 anos, foi esfaqueada até a morte pelo ex-marido após ele invadir a residência.

Também em junho, em Rondonópolis, Maria Selma Rocha dos Anjos, de 51 anos, foi assassinada pelo ex-companheiro que não aceitava o fim do relacionamento. Já em Nova Mutum, no dia 25, Roseni da Silva Karnoski, de 52 anos, foi morta pelo marido após ter tirado a Carteira Nacional de Habilitação sem a autorização dele.

Relatório aponta feminicídio como crime anunciado

Segundo o levantamento da Polícia Judiciária Civil, a maioria dos feminicídios registrados em Mato Grosso ocorre sem que haja registros prévios de denúncia. Os dados mostram que 87% das vítimas não possuíam Medida Protetiva de Urgência ativa no momento do crime.

O estudo também aponta que 80% das mulheres assassinadas nunca haviam registrado boletim de ocorrência contra os agressores antes do feminicídio, o que reforça a avaliação da polícia de que muitos casos são subnotificados.

Outro dado destacado no relatório é o aumento do uso de armas de fogo. O número de crimes cometidos com esse tipo de arma saltou de oito registros em 2024 para 20 em 2025. Além disso, a residência da vítima segue sendo o local mais perigoso, concentrando 72% das mortes.

O Relatório de Feminicídios 2025, elaborado pela Diretoria de Inteligência da Polícia Judiciária Civil, analisa o perfil das vítimas e dos autores, além do modus operandi dos crimes. Conforme o documento, todos os casos registrados no ano tiveram os autores identificados e responsabilizados, alcançando 100% de resolutividade nas investigações.

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