Investigação da Delegacia de Estelionato de Cuiabá desarticula esquema de fraude bancária no Ceará e SP

Operação Devassare cumpre 27 ordens judiciais em Ceará e São Paulo após investigação de estelionato eletrônico com vítimas em diversas regiões.

A Polícia Civil deflagrou nesta quarta-feira, 28, a Operação Devassare para desmontar um grupo criminoso instalado no Ceará, acusado de aplicar golpes bancários pela internet com vítimas em todo o país. A ação, coordenada a partir de Mato Grosso, resultou no cumprimento de 27 ordens judiciais, incluindo buscas, bloqueios de contas e sequestro de bens.

As medidas foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá e executadas em Fortaleza, além de cidades do Estado de São Paulo. O foco é interromper a atuação de um esquema especializado no chamado golpe da falsa central de banco, modalidade que combina engenharia social e fraude eletrônica.

De acordo com a investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá, os alvos operavam de forma organizada, simulando atendimentos bancários para induzir vítimas a realizar procedimentos em terminais eletrônicos. O contato inicial ocorria por mensagens de texto e ligações telefônicas, sempre com a alegação de uma suposta transação via PIX pendente de cancelamento.

O caso que deu origem à apuração partiu do registro de ocorrência feito por uma vítima em Cuiabá. Convencida pelos golpistas, ela acabou contratando um empréstimo sem autorização e realizando transferências financeiras, acreditando estar seguindo orientações legítimas do banco.

Rastreamento financeiro e ordens judiciais

Com o avanço das diligências, os policiais identificaram intensa movimentação financeira em contas vinculadas aos investigados, incompatível com o padrão de renda declarado. Foram expedidos oito mandados de busca e apreensão, oito bloqueios bancários, oito sequestros de bens e três medidas cautelares diversas.

Os mandados são cumpridos, além de Fortaleza, nos municípios paulistas de Ribeirão Preto, Mauá, Praia Grande e São Bernardo do Campo. A operação conta com apoio das Polícias Civis do Ceará e de São Paulo, conforme informações repassadas pela própria instituição.

As apurações apontaram ainda indícios de lavagem de dinheiro. Parte dos valores obtidos com os golpes teria sido usada para quitar créditos tributários junto à Sefaz de São Paulo, posteriormente aproveitados por terceiros para pagamento de IPVA. Também foram detectadas transferências fracionadas para contas de pessoas físicas e empresas, estratégia comum para ocultar a origem ilícita dos recursos.

Empresa usada para ocultação e próximos passos

Dois dos principais investigados compartilham o mesmo endereço e se apresentavam como corretores de imóveis. Eles são sócios de uma empresa com sede em Fortaleza, apontada pela polícia como possível instrumento para a lavagem do dinheiro obtido com as fraudes.

Segundo o delegado Bruno Palmiro, responsável pelo caso, as ordens judiciais têm como objetivo cessar a atividade criminosa, preservar provas e rastrear valores. As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos e possíveis novas vítimas do esquema.

A Operação Devassare recebeu esse nome em alusão à forma como os criminosos invadiam contas bancárias e realizavam transações fraudulentas. As informações são da Polícia Civil de Mato Grosso, que mantém as apurações sob sigilo para não comprometer novas diligências.

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