O Conselho Gestor do Desenvolve Floresta aprovou, nesta terça-feira (9), o novo curso superior de Tecnologia em Silvicultura da Unemat e regulamentou linhas de crédito para o setor, conforme documento oficial da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec). A aprovação ocorreu durante reunião em Cuiabá, segundo registro institucional obtido pela reportagem.
Conforme apurado, o projeto da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) prevê investimento de R$ 897.502,38 para implantar o curso em Alto Araguaia, com abertura de 50 vagas anuais. A relatora Tatiana Paula Marques de Arruda, da Secretaria de Meio Ambiente (Sema-MT), destacou o impacto regional da formação ao apresentar seu parecer favorável.
Representantes do setor produtivo, como o Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira (Cipem), alertaram para a queda de matrículas em cursos presenciais no interior nos últimos anos. Com base nessa sinalização, o Conselho recomendou que a universidade avalie oferta híbrida ou online para ampliar o acesso e garantir adesão contínua.
Regras definitivas para crédito do Desenvolve Floresta
O colegiado também validou o novo Regulamento das Linhas de Crédito do Desenvolve Floresta, documento que estabelece critérios financeiros e operacionais para impulsionar projetos florestais a partir de 2026. O texto define taxas de juros escalonadas, limites de aplicação e prioridades territoriais.
As regras abrangem iniciativas como:
- implantação de viveiros;
- recuperação de áreas degradadas;
- manejo florestal sustentável;
- produção de biomassa;
- plantios comerciais com espécies nativas.
Segundo o regulamento, investimentos com custeio associado terão juros entre 6% e 7% ao ano, enquanto operações de custeio isolado ficam entre 7% e 8%. Cada beneficiário poderá acessar até R$ 5 milhões, mediante acompanhamento técnico obrigatório. Despesas administrativas e gastos que não contribuam ao ciclo produtivo terão limites ou proibição específica.
Regiões prioritárias e impacto para o setor
O documento destaca que municípios em um raio de até 200 km de polos florestais — como Sorriso, Sinop e Alto Floresta — serão priorizados, visando ampliar a base produtiva e fortalecer exportações. A Sedec afirma que a integração entre educação, crédito e inovação melhora previsibilidade e competitividade no setor.
Para a secretária adjunta de Agronegócios, Crédito e Energia, Linacis Silva Vogel Lisboa, a aprovação conjunta dos instrumentos consolida “um ciclo integrado de educação, crédito e inovação” necessário para sustentar o crescimento da indústria florestal no estado.
Por que as mudanças importam
A regulamentação unifica critérios e reduz incertezas históricas do financiamento florestal, ao mesmo tempo em que a formação técnica regionaliza mão de obra qualificada. Especialistas consultados destacam que o alinhamento entre capacitação e acesso ao crédito tende a acelerar a expansão de cadeias produtivas de florestas plantadas e nativas.
Reportagem baseada em documento oficial do Governo do Estado, atas do Conselho Gestor do Desenvolve Floresta e notas técnicas da Sedec.
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