Clima extremo e seca severa colocam Mato Grosso em alerta máximo para o fogo no campo

Com o estado no topo das estatísticas de focos ativos, Aprosoja orienta produtores na contenção de chamas que avançam a partir de rodovias e ameaçam a produção.

A combinação crítica de umidade relativa do ar abaixo de 20%, termômetros raspando nos 40°C e vegetação completamente desidratada voltou a transformar Mato Grosso em um cenário de alto risco para o avanço dos incêndios florestais e rurais.

Dados do Painel do Fogo, mantido pelo Censipam, revelam que o estado contabilizou 871 focos ativos de queimadas apenas nos primeiros 21 dias de agosto — ficando atrás nacionalmente apenas do Pará.

A gravidade do quadro fez com que o município de Jangada decretasse situação de emergência após as chamas avançarem sobre lavouras e chegar à zona urbana.

Paranatinga e Nova Santa Helena também concentram forças-tarefa do Corpo de Bombeiros Militar, reforçadas por aviões agrícolas e maquinários de agricultores locais.

Estradas são o ponto cego do fogo, aponta Aprosoja-MT

Diante do rastro de destruição, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) reforçou a mobilização do setor e rebateu a narrativa de que as chamas teriam origem no setor agropecuário.

Segundo o vice-presidente da entidade, Luiz Pedro Bier, o rastreamento por imagens de satélite comprova que a maioria dos focos não surge dentro dos talhões de plantio, mas sim na faixa de domínio das estradas:

  • Ponto de Partida: O fogo costuma ser iniciado por faíscas ou ação humana nas margens de rodovias e acaba empurrado pelo vento para dentro das fazendas;

  • Destruição do Solo: Além do perigo para sedes e tratores, o calor extremo queima a matéria orgânica acumulada na terra — estragando anos de investimento na fertilidade do solo para as safras de soja e milho;

  • Preservação Ameaçada: O fogo põe em risco as Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais mantidas pelos próprios agricultores dentro de suas propriedades.

Tecnologia de alerta e brigadas em ação nas fazendas

Para mitigar as perdas antes do pico da seca entre agosto e setembro, a Aprosoja-MT orienta a construção preventiva de aceiros (faixas de terra limpa de vegetação) e o uso de aplicativos de monitoramento em tempo real que enviam alertas de calor para os celulares dos produtores.

Integrante do Comitê Estadual de Gestão do Fogo, a associação disponibiliza aos associados a cartilha de Manejo Integrado do Fogo. O material orienta sobre como criar redes comunitárias de combate rápido em parceria com os bombeiros para isolar os focos antes que ganhem proporções incontroláveis.

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