A ciência mato-grossense decidiu entrar diretamente no debate político para proteger o bioma mais vulnerável do país.
Pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) lançaram uma nota técnica com 14 pontos estratégicos para contestar a tentativa de anulação da expansão da Estação Ecológica (Esec) Taiamã, situada no município de Cáceres, em Mato Grosso.
O estudo surge como resposta direta à tramitação do Projeto de Decreto Legislativo (PDL 171/2026) na Câmara dos Deputados, que busca derrubar o decreto presidencial emitido em março para incorporar mais de 104 mil hectares à unidade de conservação.
Economia, turismo e arrecadação: o que a ciência diz sobre a reserva
A análise dos professores desmonta o mito de que a preservação ambiental trava o desenvolvimento regional. O relatório demonstra que manter a área protegida e estimular o ecoturismo gera um retorno financeiro muito superior ao da pecuária extensiva tradicional naquela faixa do Pantanal de Mato Grosso.
O documento destaca impactos econômicos e climáticos diretos:
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Injeção de caixa para a cidade: A ampliação da Esec Taiamã pode render um aumento anual de R$ 1,5 milhão a R$ 4 milhões nos cofres de Cáceres por meio do repasse do ICMS Ecológico;
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Proteção contra o clima: A área preserva um estoque estimado em 11 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente, essencial para frear as mudanças climáticas;
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Berçário da vida marinha: Garante a proteção dos macrohabitats indispensáveis para a reprodução e o repovoamento dos peixes que sustentam a pesca local.
O impasse político e o futuro do Pantanal mato-grossense
Com apenas 5% de sua extensão protegida por leis de conservação, o Pantanal ostenta o título incômodo de bioma menos protegido do Brasil. A região vem sofrendo com secas históricas, queimadas e avanço de queimadas descontroladas nos últimos anos.
Apesar dos relatórios técnicos elaborados ao longo de anos pelo ICMBio, a expansão da Esec Taiamã e do Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense enfrenta forte resistência na bancada federal de Mato Grosso, que pressiona pela votação rápida dos projetos que cancelam as reservas ambientais.
O estudo da Unemat reforça que proteger o ecossistema pantaneiro não é um gasto, mas um investimento com retorno garantido para a economia, o turismo e a segurança hídrica da população.
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