Em Mato Grosso, o setor produtivo e as obras de infraestrutura ganharam um fôlego bilionário para os próximos anos. A União concluiu a contratação de um empréstimo de US$ 500 milhões (aproximadamente R$ 2,8 bilhões) junto ao New Development Bank (NDB) — a instituição financeira criada pelos países do bloco Brics.
O aval definitivo foi assinado pelo ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, e publicado no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (4). O dinheiro vai direto para as contas do Tesouro Nacional e será distribuído entre os fundos de desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Nordeste (FDNE) e do Centro-Oeste (FDCO).
Pela divisão proposta pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), a fatia destinada ao Centro-Oeste será de 20% do total, o que garante um teto de até US$ 100 milhões (cerca de R$ 560 milhões) para serem aplicados em projetos de logística, serviços públicos e empreendimentos privados de grande porte na região.
Virada de chave após 20 anos de caixa “no seco”
O aporte tem peso histórico para a economia regional. Desde meados dos anos 2000, os fundos de desenvolvimento sobreviveram apenas da reciclagem da própria arrecadação e do retorno de financiamentos antigos, sem a entrada de dinheiro novo.
A virada de chave veio após a articulação junto a organismos multilaterais para rechear os fundos regionais. Gerido pela Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), o FDCO é o principal braço de crédito de longo prazo para impulsionar a infraestrutura de Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e do Distrito Federal.
O arranjo financeiro também livra os cofres estaduais de qualquer impacto direto:
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Devedora direta: A dívida é 100% assumida pela República Federativa do Brasil, sem exigência de contrapartida ou garantias de estados e municípios;
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Custo do dinheiro: A taxa de juros foi fixada na SOFR (taxa de referência internacional) de seis meses mais spread variável;
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Caminho da verba: O Tesouro recebe em moeda estrangeira, converte os valores para reais e repassa à Sudeco, que por sua vez libera o crédito aos bancos operadores para contratação final com as empresas.
Cronograma de liberação do recurso (2023–2026)
A contratação com o NDB é apenas a primeira ponta de um “megapacote” de US$ 1,833 bilhão montado pelo Ministério da Integração junto a organismos como o Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Agência Francesa de Desenvolvimento, com desembolsos previstos até 2030.
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2023 — Aprovação inicial: A Comissão de Financiamentos Externos aprova a carta-consulta apresentada pelo Ministério da Integração para dar início às negociações com o banco do Brics.
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Julho de 2026 — Aval do Senado: O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, promulga a Resolução nº 20, autorizando oficialmente a União a contratar o empréstimo internacional.
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Setembro de 2026 — Liberação da Fazenda: O Ministério da Fazenda publica a autorização no Diário Oficial da União, destravando a chegada do dinheiro para os fundos regionais.
No mesmo pacote de liberações, a Fazenda autorizou ainda US$ 1 bilhão do BID para o programa Eco Invest Brasil e mais US$ 100 milhões para modernizações institucionais conduzidas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
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