Cassinos físicos no Brasil: debate avança no Congresso em meio a expectativas de investimento e regulação

O debate sobre a legalização dos cassinos físicos no Brasil continua. Começou com o projeto de Lei 2.234/2022 e o debate acentuou-se no final de 2025. No entanto, mais uma vez, a discussão do tema foi adiado para este ano de 2026. Isso já começou. Não no congresso, mas sim na Sigma, uma das maiores feiras de iGaming e poderá ver de seguida que foi um assunto bastante discutido.

Ainda não existe certezas se os brasileiros poderão experimentar land based slot machines, mas parece estar para breve apesar do presidente Lula não ter mostrado apoio ao setor. Este vídeo correu todo o Brasil e foi viral. Muitos comentários e muitas opiniões, mas importa perceber em que situação os cassinos físicos se encontram.

Entre outras coisas, vai ficar a conhecer a opinião do presidente da Associação Nacional de Jogos e Loteria que deu recentemente uma entrevista.

Um mercado em expansão e o efeito da regulação online

O crescimento do debate sobre cassinos físicos ocorre num contexto de forte expansão do setor de jogos e apostas no Brasil.

Com a regulamentação das apostas de quota fixa e dos jogos online a partir da Lei 14.790/2023, o país consolidou um mercado formal que passou a movimentar bilhões de reais e atrair operadores internacionais. O avanço da regulação também abriu espaço para uma discussão mais ampla sobre outras modalidades de jogo.

Segundo estimativas do setor, a formalização do mercado online ajudou a estruturar práticas de compliance, combate ao jogo ilegal e mecanismos de controlo financeiro. Esse ambiente regulado é frequentemente citado por especialistas como um possível “pré-requisito” para a eventual abertura de casinos físicos.

A visão do setor: turismo e investimento como principais argumentos

Durante o evento BiS SiGMA South America 2026, realizado em São Paulo, representantes da indústria voltaram a defender a legalização dos casinos físicos como uma extensão natural da regulamentação já existente no ambiente digital.

Em entrevista ao Poder 360, o presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), Plínio Lemos Jorge, afirmou que a implementação de casinos presenciais pode representar um avanço relevante para o turismo e para a atração de investimentos estrangeiros.

Segundo ele, o Brasil já possui maturidade regulatória suficiente no segmento online, o que facilitaria a transição para um modelo presencial mais estruturado e controlado.

A avaliação é partilhada por parte do setor, que vê nos cassinos físicos uma oportunidade de diversificação da indústria e de criação de polos turísticos integrados, especialmente em grandes centros urbanos e destinos turísticos já consolidados.

Expectativas económicas e impacto potencial

No Congresso, defensores do projeto argumentam que a legalização pode gerar um impacto económico significativo.

Estimativas apresentadas por parlamentares e representantes do setor indicam que a regulamentação dos cassinos físicos poderia atrair até R$ 100 mil milhões em investimentos ao longo de alguns anos, além de impulsionar a criação de empregos diretos e indiretos.

Esses números são frequentemente utilizados no debate público para justificar a abertura do mercado, embora ainda existam divergências sobre o impacto real em termos sociais, fiscais e de segurança pública.

Segurança, fiscalização e desafios do mercado ilegal

Um dos principais pontos de discussão continua a ser o combate ao mercado ilegal de jogos.

Mesmo com o avanço da regulação das apostas online, autoridades e entidades do setor reconhecem que o jogo clandestino ainda representa um desafio relevante no país.

Entre as medidas em discussão estão o bloqueio de sites ilegais, o rastreio de transações financeiras suspeitas e o reforço da fiscalização digital. O uso de tecnologias de monitorização e cooperação entre entidades públicas e privadas tem sido apontado como uma das principais ferramentas para reduzir a atuação de operadores não licenciados.

Nesse contexto de maior formalização da economia digital, também se observa um aumento na integração fiscal dos rendimentos provenientes de atividades online (10 milhões em 17 dias), incluindo ganhos relacionados com apostas e outras operações financeiras, refletindo um ambiente de maior rastreabilidade e cumprimento tributário.

Debate político continua dividido no Congresso

Apesar do avanço das discussões, o tema continua longe de um consenso político.

No Senado, o projeto enfrenta resistência de parte dos parlamentares, que levantam preocupações relacionadas a impacto social, dependência do jogo e questões morais. Por outro lado, defensores do projeto argumentam que a proibição atual não elimina a procura, apenas mantém parte da atividade fora do controlo do Estado.

Em 2026, a expectativa é de que o tema volte a ser analisado com maior profundidade, especialmente após a consolidação do mercado de apostas online, que passou a funcionar de forma regulada no início de 2025.

Um setor em transição

O cenário atual indica que o Brasil atravessa uma fase de transição no setor de jogos e apostas.

De um lado, o mercado online já está estruturado e regulamentado, com forte crescimento e integração tecnológica. Do outro, os cassinos físicos ainda dependem de aprovação legislativa e de um consenso político mais amplo para avançar.

A discussão envolve não apenas questões económicas, mas também sociais e regulatórias, num equilíbrio delicado entre liberdade de mercado, controlo estatal e proteção do consumidor.

À medida que o debate avança no Congresso, o setor acompanha de perto os próximos passos, enquanto o Brasil se posiciona como um dos mercados mais relevantes do mundo no segmento de jogos e apostas.

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