Ruy Castro conquista o Jabuti pela segunda vez consecutiva

O escritor venceu a principal categoria da premiação com um livro sobre os impactos da Segunda Guerra Mundial no Rio de Janeiro. A edição de 2026 também reconheceu Eliana Alves Cruz e homenageou Lygia Bojunga.

O escritor e jornalista Ruy Castro venceu pela segunda vez consecutiva a categoria Livro do Ano do Prêmio Jabuti. Em 2026, o reconhecimento foi concedido à obra Trincheira tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio, publicada pela Companhia das Letras, que também recebeu o troféu na categoria Biografia e Reportagem.

A cerimônia da 68ª edição do prêmio foi realizada na noite de terça-feira (27), na Sala São Paulo. Ruy Castro não compareceu ao evento por questões de saúde, conforme informado durante a solenidade.

O livro premiado reconstrói o cotidiano do Rio de Janeiro entre 1935 e 1945, período marcado pelos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial. A narrativa combina pesquisa histórica e relatos sobre a vida na cidade para mostrar como os conflitos na Europa repercutiram na sociedade carioca.

Em 2025, o autor também havia conquistado o prêmio de Livro do Ano com O Ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim, coletânea de textos dedicada ao compositor brasileiro.

Nascido em 1948, em Caratinga, Minas Gerais, Ruy Castro iniciou a carreira como repórter em 1967. A partir de 1990, passou a se dedicar à produção de livros. Entre seus trabalhos conhecidos estão biografias de Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda, além de reconstituições históricas sobre a Bossa Nova e o Rio de Janeiro dos anos 1920.

Organizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Prêmio Jabuti 2026 contemplou vencedores em 23 categorias, além da distinção principal de Livro do Ano. As categorias estão distribuídas nos eixos Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação.

Eliana Alves Cruz vence na categoria Romance Literário

A escritora Eliana Alves Cruz conquistou o prêmio de Romance Literário com o livro Meridiana. Em entrevista à Agência Brasil, ela descreveu a conquista como um momento de alegria e realização, destacando o significado da premiação para sua trajetória e para outras pessoas que contribuíram com seu percurso literário.

O romance aborda questões relacionadas à ascensão social e ao sentimento de pertencimento a partir da experiência de uma família negra. A narrativa explora os desafios enfrentados por pessoas que melhoram suas condições econômicas, mas continuam tentando compreender seu lugar na sociedade.

Ao comentar a obra, Eliana Alves Cruz relacionou a história às transformações da classe média brasileira. Segundo a escritora, muitas famílias deixam condições econômicas mais precárias e passam a integrar uma nova realidade social, sem necessariamente abandonar as dificuldades e os conflitos associados à origem ou à adaptação ao novo ambiente.

A autora também destacou a questão da casa como espaço de pertencimento. O livro propõe uma reflexão sobre o significado de encontrar um lugar próprio em meio às mudanças sociais, econômicas e familiares.

Prêmio Jabuti estreia categoria voltada à cultura digital

Uma das novidades da edição de 2026 foi a criação da categoria Incentivo à Leitura – Cultura Digital, destinada a criadores de conteúdo que utilizam plataformas digitais para valorizar os livros e estimular o hábito da leitura.

De acordo com a Câmara Brasileira do Livro, a avaliação considera a qualidade dos conteúdos, o engajamento do público e o impacto cultural das iniciativas. A nova categoria recebeu 402 indicações válidas.

O vencedor foi Pedro Pacífico, criador do canal Bookster, conhecido por divulgar conteúdos relacionados à literatura. O influenciador recebeu o troféu das mãos do jogador de futebol Gustavo Scarpa, que também compartilha suas leituras nas redes sociais.

Nas outras 22 categorias, a premiação registrou 4.675 inscrições de obras e projetos. Além das estatuetas, os vencedores recebem R$ 5 mil por categoria.

Lygia Bojunga é homenageada na 68ª edição

A escritora Lygia Bojunga foi escolhida como Personalidade Literária do Prêmio Jabuti 2026. A homenagem reconhece sua contribuição para a literatura brasileira e ocorre no ano em que um de seus livros mais conhecidos, A Bolsa Amarela, completa 50 anos.

Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 1932, Lygia estreou na literatura em 1972 com Os Colegas. Ao longo da carreira, publicou obras como Angélica, Corda Bamba e A Bolsa Amarela, marcadas pela imaginação e pela abordagem dos desejos, conflitos e sentimentos da infância.

A autora enviou uma mensagem de agradecimento e uma carta escrita à mão para a organização. Na mensagem, definiu a homenagem como um incentivo significativo. A escritora e psicanalista Ninfa Parreiras representou Lygia Bojunga durante a cerimônia.

Conheça os vencedores das categorias do Jabuti 2026

A premiação reconheceu obras e projetos de diferentes áreas da literatura, da produção editorial e da inovação. Confira os títulos e responsáveis destacados na relação de finalistas divulgada para a edição.

Eixo Literatura

Conto: Massaranduba, de Abáz, publicado pela Senac Rio.

Crônica: Viagem no país da crônica, de Humberto Werneck, publicado pela Tinta-da-China Brasil.

Escritor Estreante – Poesia: História a que ninguém deu nome, de Juliana Cajives, publicado pela Mormaço Editorial.

Escritor Estreante – Romance: Pitangas verdes, de Mariana Lobato Botter, publicado pela Labrador.

Histórias em Quadrinhos: Ouroboros, de Luckas Iohanathan, publicado pela Comix Zone.

Infantil: A letra, de Leo Cunha e Raquel Matsushita, publicado pela Maralto.

Juvenil: A única da sala, de Tathyana Viana, publicado pela FTD.

Poesia: Boris e Marina, de Alberto Martins, publicado pela Companhia das Letras.

Romance de Entretenimento: Cartografia para caminhos incertos, de Ian Fraser, publicado pela Intrínseca.

Romance Literário: Meridiana, de Eliana Alves Cruz, publicado pela Companhia das Letras.

Eixo Não Ficção

Artes: Abdias, intérprete do Brasil: textos sobre raça e cultura brasileira de 1940 a 1990, organizado por Tulio Custódio e publicado pela Todavia.

Biografia e Reportagem: Trincheira tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio, de Ruy Castro, publicado pela Companhia das Letras.

Economia Criativa: A (r)evolução das habilidades para o futuro do trabalho na era da inteligência artificial, de Martha Gabriel, publicado pelo Senac São Paulo.

Educação: Como conversar com crianças sobre racismo e diversidade, de Manuel Alves de Sousa Junior, publicado pela Schreiben.

Negócios: Não se esqueça!: 50 memorandos sobre gestão e liderança com propósito, comprometimento e proatividade, de Mario Sergio Cortella, publicado pela Record.

Saúde e Bem-Estar: A paixão pela mentira: a família e as tiranias, de Paulo Schiller, publicado pela Todavia.

Eixo Produção Editorial

Capa: Frans Krajcberg, com trabalho de Alles Blau, publicado pelo Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP).

Ilustração: Guernica: a arte em busca da paz, ilustrado por Vinicius Sabbato e publicado pela Via Lúdica.

Projeto Gráfico: Dobra, com projeto de Raul Loureiro, publicado pela Cosac.

Tradução: O cavaleiro de bronze e outros contos e versos, traduzido por Rubens Figueiredo e publicado pela Penguin-Companhia das Letras.

Eixo Inovação

Incentivo à Leitura – Projeto: Cartovivências nas periferias da cidade, de Ricardo Barbosa da Silva.

Livro Brasileiro Publicado no Exterior: Os substitutos, publicado pela Companhia das Letras e pela Métailié.

Incentivo à Leitura – Cultura Digital: Pedro Pacífico, responsável pelo canal Bookster, foi o vencedor da categoria estreante.

Reportagem baseada em informações da Agência Brasil, responsável pela divulgação dos dados sobre a cerimônia, os premiados e as homenagens da 68ª edição do Prêmio Jabuti.

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