O Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro terá início no domingo de Carnaval, 15 de fevereiro, com o desfile da Acadêmicos de Niterói. Estreante na elite das escolas de samba, a agremiação levará para a avenida um samba-enredo narrado em primeira pessoa por Dona Lindu, mãe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Com o enredo Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil, a escola conta a história de uma retirante nordestina que atravessou o país em busca de melhores condições de vida para a família. Na letra, Dona Lindu relata a viagem de 13 dias em um caminhão pau-de-arara, entre Garanhuns, no interior de Pernambuco, e a região metropolitana de São Paulo.
Uma das autoras do samba, a cantora e compositora Teresa Cristina, explica que a motivação central da narrativa é a força familiar. Segundo ela, a travessia foi movida pelo amor e pela esperança de reunir a família. O samba é assinado em parceria com outros compositores ligados ao universo do samba.
Dona Lindu morreu em 1980, aos 64 anos. De acordo com Teresa Cristina, Lula se emocionou ao ouvir o samba que reconstrói a história de sua mãe e de sua infância. O presidente teria chorado ao reconhecer memórias familiares retratadas na composição.
O enredo também aborda a trajetória de Lula, do agreste pernambucano ao ABC paulista, onde se tornou operário, líder sindical, político e presidente da República. Para a direção da escola, a história representa a experiência de milhões de brasileiros que migraram em busca de oportunidades.
Além da biografia do presidente, o samba-enredo faz referências a políticas de combate à fome, ampliação do acesso à educação e à memória de personagens marcantes da história brasileira, incluindo vítimas da ditadura militar e nomes ligados à luta por direitos sociais.
Esta não é a primeira vez que Lula é tema de escola de samba. Outras agremiações já o homenagearam em desfiles anteriores, assim como outros ex-presidentes da República, cujas trajetórias políticas e pessoais foram levadas à avenida ao longo das décadas.
A Acadêmicos de Niterói informou que o desfile não será financiado por meio da Lei Rouanet. Apesar de ter recebido autorização para captar recursos, a escola desistiu da iniciativa devido ao curto prazo disponível para a captação.
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