A Imperatriz Leopoldinense prepara um desfile que homenageia o cantor Ney Matogrosso, destacando seu universo artístico autêntico e transgressor. Com o enredo Camaleônico, a escola de samba da zona norte do Rio de Janeiro não optou por uma abordagem biográfica, mas sim por mostrar o impacto estético e musical do artista ao longo de mais de 50 anos.
O carnavalesco Leandro Vieira afirmou que o enredo se baseia na obra do cantor e no universo estético que ele construiu: “Todo mundo conhece alguma coisa do Ney Matogrosso. Além das músicas, ele conseguiu que imagens permanecessem no imaginário popular”.
A Imperatriz abordará as diferentes personalidades assumidas por Ney, desde o bicho selvagem ao andrógino, reforçando o corpo como manifesto político e o visual como expressão artística. Vieira destaca que o cantor se mantém como uma referência de liberdade e transgressão.
Personagens icônicos
O desfile revisitará momentos marcantes da carreira de Ney, incluindo o disco Bandido (1976) e o personagem do homem neandertal, criado em 1975. O carnavalesco explica que essas escolhas desafiaram normas sociais da época e transformaram cada apresentação em manifesto estético.
O sucesso do artista junto ao público de diferentes idades e perfis, incluindo crianças e membros da comunidade LGBTQIA+, reflete sua autenticidade e capacidade de inovar sem seguir padrões. “O Ney Matogrosso não é estereótipo da liberdade. Ele é a liberdade em pessoa”, afirmou Vieira.
Enredo com participação do artista
Desde o lançamento do enredo em maio, Ney tem acompanhado de perto o trabalho da escola, participando de ensaios e visitando o barracão. O envolvimento do artista contribuiu para o processo criativo, incluindo ajustes nos figurinos e na concepção das alas.
O cantor, que inicialmente não tinha interesse em ser homenageado no Carnaval, decidiu aceitar o convite e está satisfeito com o desenvolvimento do projeto: “Estou vendo as maravilhas que o Leandro está fazendo”.
Ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro
1º dia – domingo (15/2)
- Acadêmicos de Niterói – Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil
- Imperatriz Leopoldinense – Camaleônico
- Portela – O Mistério do Príncipe do Bará
- Estação Primeira de Mangueira – Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra
2º dia – segunda-feira (16/2)
- Mocidade Independente de Padre Miguel – Rita Lee, a Padroeira da Liberdade
- Beija‑Flor de Nilópolis – Bembé do Mercado
- Acadêmicos do Viradouro – Pra Cima, Ciça
- Unidos da Tijuca – Carolina Maria de Jesus
3º dia – terça-feira (17/2)
- Paraíso do Tuiuti – Lonã Ifá Lukumi
- Unidos de Vila Isabel – Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África
- Acadêmicos do Grande Rio – A Nação do Mangue
- Acadêmicos do Salgueiro – A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau
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