O Aparelhinho completa 15 anos de atuação no carnaval de Brasília consolidado como um dos principais símbolos da folia de rua na capital federal. Inspirado nas tradicionais aparelhagens do Pará, o bloco surgiu de forma simples, com um sistema de som montado sobre um carrinho alegórico, e ajudou a transformar a percepção de que a cidade não tinha tradição carnavalesca.
Um dos fundadores, o DJ Rafael Ops, relembra que a proposta sempre foi ocupar os espaços públicos com música e cor. Segundo ele, o projeto nasceu durante sua passagem pelo curso de artes cênicas da Universidade de Brasília, em parceria com o arquiteto Gustavo Góes. O primeiro carrinho foi construído na marcenaria do Instituto de Artes da UnB e contava com quatro caixas de som ativas.
Ao longo dos anos, a estrutura evoluiu e ganhou recursos tecnológicos e identidade visual nas cores azul e laranja. O que começou como um equipamento empurrável, capaz de circular por marquises, túneis e calçadas, passou por diferentes formatos, incluindo versões em madeira e ferro, modelo online durante a pandemia, charrete, trio e até carreta.
Nos últimos carnavais, o bloco contou com apoio financeiro da Secretaria de Cultura do Distrito Federal. Em 2026, cerca de 100 pessoas participaram da organização do evento, realizado no Setor Bancário Sul.
Frequentadora desde 2012, a publicitária Bruna Daibert destaca o papel do Aparelhinho na formação de novos foliões. Para ela, o carnaval deve ocupar diferentes áreas da cidade, inclusive quadras residenciais, reforçando o caráter democrático da festa. O debate sobre a circulação dos blocos ganhou força após restrições impostas a trajetos em anos anteriores, como ocorreu com o tradicional Galinho de Brasília em 2023.
Música eletrônica e diversidade sonora
O repertório de aniversário foi conduzido pelos DJs fundadores Pezão, Rafael Ops e Rodrigo Barata, além de convidados. A base musical é eletrônica, mas inclui remixes de frevo, axé, samba enredo, brega funk, piseiro, rock e diferentes vertentes da música eletrônica.
Para o cozinheiro Iago Roberto, que participou do carnaval de rua pela primeira vez, a experiência superou as expectativas. Após três anos morando fora do país, ele voltou a Brasília com interesse em conhecer a festa popular e elogiou a energia do público.
O Aparelhinho se apresenta como espaço inclusivo, reunindo adultos, crianças e pessoas com mobilidade reduzida. Ainda assim, foliões relataram dificuldades relacionadas à infraestrutura urbana, como buracos na pista e ausência de rampas adequadas. A discussão sobre acessibilidade reforça a necessidade de melhorias para garantir que a ocupação das ruas seja, de fato, para todos.
Quinze anos depois do primeiro desfile, o bloco reafirma sua proposta de levar música eletrônica às ruas e ampliar o espaço do carnaval na capital federal.
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