As contas externas do Brasil apresentaram déficit de US$ 8,360 bilhões em janeiro de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O resultado é menor do que o registrado no mesmo mês de 2025, quando o saldo negativo nas transações correntes foi de US$ 9,809 bilhões.
A melhora no resultado anual foi influenciada principalmente pelo aumento de US$ 2,1 bilhões no superávit da balança comercial. O desempenho foi impulsionado pela redução generalizada das importações, movimento associado à desaceleração da atividade econômica no país.
Além disso, o déficit na conta de serviços recuou US$ 581 milhões. Em sentido contrário, houve aumento de US$ 1,3 bilhão no déficit em renda primária, que inclui pagamentos de juros, lucros e dividendos ao exterior.
No acumulado de 12 meses encerrados em janeiro, o déficit em transações correntes somou US$ 67,551 bilhões, equivalente a 2,92% do Produto Interno Bruto (PIB). O resultado representa redução em relação ao mesmo período encerrado em janeiro de 2025, quando o saldo negativo foi de US$ 72,421 bilhões, ou 3,35% do PIB.
Investimentos financiam o resultado
De acordo com o Banco Central, o déficit externo segue financiado por capitais de longo prazo, principalmente por meio dos investimentos diretos no país (IDP). Em janeiro, esses aportes totalizaram US$ 8,168 bilhões, acima dos US$ 6,708 bilhões registrados no mesmo mês do ano anterior.
No acumulado de 12 meses, o IDP alcançou US$ 79,137 bilhões, o equivalente a 3,42% do PIB, reforçando a avaliação de que o financiamento externo permanece em patamar considerado sólido.
Os investimentos em carteira no mercado doméstico também tiveram destaque, com entrada líquida de US$ 8,867 bilhões em janeiro, o maior volume desde julho de 2018. As reservas internacionais chegaram a US$ 364,367 bilhões, aumento de US$ 6,134 bilhões em relação ao mês anterior.
Comércio exterior e serviços
As exportações de bens somaram US$ 25,282 bilhões em janeiro, queda de 1,2% na comparação anual. Já as importações recuaram 10%, totalizando US$ 21,766 bilhões.
Com esse desempenho, a balança comercial registrou superávit de US$ 3,516 bilhões, acima do saldo positivo de US$ 1,396 bilhão observado em janeiro de 2025.
O déficit na conta de serviços ficou em US$ 3,972 bilhões, redução de 12,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. No segmento de viagens internacionais, o saldo negativo atingiu US$ 1,453 bilhão, refletindo a queda nos gastos de estrangeiros no Brasil e o aumento das despesas de brasileiros no exterior.
Já o déficit em renda primária chegou a US$ 8,312 bilhões, alta de 18,7% na comparação anual. A conta de renda secundária registrou superávit de US$ 408 milhões, ligeiramente superior ao resultado de janeiro de 2025.
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