Pix domina pagamentos no Brasil, mas medo de golpes ainda freia avanço total do digital

Pesquisa da CNDL e SPC Brasil aponta que consumidores vivem era da “Agilidade com Medo”, combinando rapidez do Pix com segurança dos meios físicos

Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise, revela que o sistema de pagamentos no Brasil passa por uma transformação acelerada impulsionada pelo avanço das tecnologias digitais. O estudo aponta que o país vive a era da “Agilidade com Medo”: um cenário em que a velocidade das transações digitais cresce rapidamente, mas ainda convive com a preocupação dos consumidores com segurança financeira.

O grande protagonista desse movimento é o Pix, que já é utilizado por 80% dos consumidores como principal meio de pagamento no dia a dia e registra crescimento consistente em diferentes canais de consumo.

Pix avança nas compras físicas, online e no pagamento de contas

De acordo com o levantamento, o Pix vem ampliando sua presença tanto no comércio tradicional quanto no ambiente digital. Nas lojas físicas, o sistema é utilizado prioritariamente por 41% dos consumidores, crescimento de 8 pontos percentuais em relação a 2025.

Nas compras online, o avanço é ainda mais significativo: 55% dos entrevistados afirmam usar o Pix como principal forma de pagamento, também com aumento de 8 pontos percentuais em comparação ao ano passado.

Já no pagamento de contas de consumo, como água, luz, telefone e internet, o domínio do sistema é ainda maior. Nesse segmento, 66% dos consumidores utilizam o Pix, crescimento de 14 pontos percentuais em relação a 2025.

A rapidez e a praticidade são apontadas como os principais atrativos do sistema, mencionadas por 69% dos usuários. O ecossistema também vem evoluindo para funcionalidades mais complexas, como o Pix parcelado, utilizado por 38% dos entrevistados, e o agendamento de pagamentos, adotado por 36%.

Contas digitais já superam contas físicas

A pesquisa também mostra que o Brasil possui um alto nível de bancarização, com 97% dos entrevistados possuindo conta bancária. O modelo mais comum é o híbrido, combinando serviços digitais e presenciais, utilizado por 55% da população.

Por outro lado, as contas exclusivamente digitais (23%) já superam as contas apenas físicas (20%), tendência puxada principalmente pelo público mais jovem.

Mesmo com esse avanço, a digitalização completa encontra barreiras importantes. O principal fator na escolha do meio de pagamento ainda é segurança e medo de golpes, citado por 43% dos entrevistados, superando critérios como rapidez e praticidade, mencionados por 34%.

Segundo o presidente da CNDL, José César da Costa, o consumidor brasileiro equilibra entusiasmo pela inovação com cautela.

“Embora o Pix tenha atropelado métodos tradicionais e a digitalização avance a passos largos, existe um teto de vidro imposto pela segurança e pela infraestrutura. O consumidor quer a velocidade do digital, mas não abre mão da garantia do físico caso a bateria do celular acabe ou a conexão falhe”, afirma.

Consumidor mantém alternativas físicas por segurança

O estudo mostra que 92% dos consumidores mantêm alternativas físicas de pagamento, garantindo autonomia financeira em situações de falha tecnológica, como falta de bateria no celular ou problemas de conectividade.

Nesse cenário, 68% afirmam que mantêm cartões físicos disponíveis, enquanto 24% ainda recorrem ao dinheiro em caso de necessidade.

QR Code ganha espaço no varejo

Outra tecnologia que vem crescendo no mercado de pagamentos é o QR Code. A pesquisa mostra que 86% dos consumidores já utilizaram a ferramenta para pagar compras ou contas.

A principal motivação para o uso é a rapidez, apontada por 54% dos entrevistados. Outros fatores relevantes incluem a eliminação de erros na digitação de chaves (44%) e a ampla aceitação no comércio (38%).

Mesmo assim, a confiança ainda é um desafio. Entre os usuários, 26% afirmam ter baixa segurança na ferramenta, enquanto 24% relatam dificuldade técnica e 24% demonstram receio de clonagem ou roubo de dados.

Pagamento por aproximação cresce, mas ainda enfrenta resistência

O levantamento também aponta avanço no uso de pagamentos por aproximação com cartões ou carteiras digitais. Entre os usuários desses serviços, 81% já utilizaram a modalidade.

O cartão físico por aproximação ainda lidera, sendo utilizado por 73% dos entrevistados, mas o celular já aparece com 48%, impulsionando o crescimento das carteiras digitais.

A praticidade é o principal atrativo: 64% citam rapidez como motivo de uso, enquanto 41% destacam a vantagem de não precisar digitar senha.

Por outro lado, a falta de confiança (47%) e o medo de clonagem (28%) ainda são barreiras importantes para quem resiste à tecnologia.

Medo de golpes é maior que a incidência real

Um dos dados mais curiosos da pesquisa mostra um contraste entre percepção e realidade. 68% dos entrevistados dizem temer sofrer golpes, mas 89% nunca foram vítimas de fraude. A incidência real registrada pelo levantamento é de apenas 7%.

Para o futuro, os brasileiros acreditam na continuidade do protagonismo do Pix. 36% apontam o sistema como o principal meio de pagamento nos próximos anos, enquanto 26% apostam na expansão de tecnologias como biometria e pagamentos por dispositivos vestíveis, como relógios inteligentes.

Inclusive, 46% dos entrevistados afirmam que aceitariam utilizar reconhecimento facial em estabelecimentos comerciais, caso a tecnologia ajude a reduzir o tempo de pagamento no caixa.

Metodologia da pesquisa

A pesquisa foi realizada entre 2 e 9 de janeiro de 2026 com 600 internautas das 27 capitais brasileiras, homens e mulheres com 18 anos ou mais, pertencentes a todas as classes econômicas.

O levantamento foi conduzido via web e posteriormente ponderado por sexo, idade, renda e escolaridade. A margem de erro é de 4 pontos percentuais, com 95% de nível de confiança.

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