O Observatório do Clima lançou um relatório com 37 soluções para reduzir as emissões de metano no Brasil. As propostas abrangem quatro áreas: agropecuária, resíduos, mudança no uso da terra e florestas e energia.
O metano (CH4) permanece entre 10 e 20 anos na atmosfera, mas apresenta potencial de aquecimento global 28 vezes maior que o dióxido de carbono (CO2). O Brasil ocupa a quinta posição entre os países que mais emitem o gás, atrás de China, Estados Unidos, Índia e Rússia.
Dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, apontam que o Brasil emitiu 21 milhões de toneladas de metano em 2024.
Segundo David Tsai, coordenador do SEEG, a redução dessas emissões é uma medida importante para conter o aquecimento global. Ele destaca que o país já possui diferentes alternativas, mas precisa ampliar a coordenação e a aplicação das medidas em escala.
As propostas apresentadas no documento incluem ações de planejamento, financiamento, governança, operação e monitoramento, adaptadas às características de cada setor.
Agropecuária concentra maior parte das emissões
A agropecuária reúne 15 das propostas apresentadas no relatório. As medidas envolvem produtores, governos, instituições financeiras e universidades.
Entre as alternativas estão mudanças no manejo de animais e resíduos, planejamento territorial, ampliação da assistência técnica e melhoria do acesso ao crédito.
O setor respondeu por 15,7 milhões de toneladas de metano em 2024, equivalente a 75,8% das emissões brasileiras do gás naquele ano.
Gabriel Quintana, coordenador da área de Ciência do Clima do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), responsável pelas propostas para a agropecuária, avalia que as mudanças podem contribuir para aumentar a produtividade e a eficiência na produção de alimentos.
“Essa edição do SEEG Soluções expande as estratégias já existentes, trazendo opções que podem ser implementadas por produtores, municípios e regiões do país”, afirma Quintana.
Resíduos também entram nas propostas
O relatório aponta a melhoria da gestão e da governança dos aterros sanitários, além da eliminação dos lixões, como medidas para reduzir as emissões de metano no setor de resíduos. O Iclei – Governos Locais pela Sustentabilidade contribuiu com 12 propostas para essa área.
As sugestões incluem ações voltadas à redução da geração e do desperdício de resíduos, ampliação da coleta seletiva e aproveitamento energético de materiais. Segundo Iris Coluna, assessora do Iclei, as medidas podem servir de referência para cidades brasileiras que buscam diminuir suas emissões.
Florestas exigem monitoramento e prevenção
Para o setor de Mudança no Uso da Terra (MUT) e Florestas, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) apresentou cinco sugestões.
As propostas priorizam o aprimoramento do monitoramento, da prevenção e do combate aos incêndios em áreas de vegetação nativa.
Energia mira vazamentos em combustíveis fósseis
As cinco últimas propostas tratam das emissões de metano nas cadeias de combustíveis fósseis, incluindo petróleo, gás e carvão. As medidas estão concentradas na redução de vazamentos e desperdícios durante os processos produtivos.
As contribuições foram elaboradas pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), com medidas direcionadas às diferentes características do setor.
“Quem cozinha com lenha porque não tem acesso a outra fonte de energia precisa de política pública. Já as emissões da cadeia de combustíveis fósseis vêm de operação industrial, e ali cabe responsabilizar quem lucra com a atividade”, afirma Ingrid Graces, pesquisadora do Iema.
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