A mobilização de comunidades tradicionais está promovendo a recuperação ambiental de manguezais no entorno da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Ações de limpeza, educação ambiental e incentivo à preservação vêm transformando áreas degradadas em diversos municípios da região.
Nos meses de janeiro e fevereiro, o projeto Andadas Ecológicas, desenvolvido pela ONG Guardiões do Mar, retirou 4,5 toneladas de resíduos sólidos de áreas de mangue em Magé. Entre os beneficiados estão pescadores artesanais, catadores de caranguejo, crianças e adolescentes da comunidade de Suruí e localidades vizinhas.
Além da retirada de lixo, a iniciativa promove a criação de um ecoclube e adota o modelo de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Os participantes recebem a chamada Moeda Azul, conhecida como Mangal, que pode ser trocada por produtos em um bazar comunitário. O projeto terá duração de dois anos e dois meses e envolverá escolas, espaços comunitários e moradores das margens do Rio Suruí.
Segundo os organizadores, a proposta vai além da limpeza. O trabalho inclui formação em educação ambiental e incentivo para que as famílias façam o descarte correto de resíduos e recolham materiais recicláveis. A participação da população fortalece o senso de responsabilidade e transforma os moradores em agentes ambientais.
O pagamento pelos serviços ambientais, adotado pela organização desde 2001, tem contribuído para ampliar o engajamento. De acordo com a ONG, comunidades que participam das ações observam melhorias na qualidade do manguezal, com reflexos na maior disponibilidade de peixes e caranguejos.
A iniciativa também gera impacto econômico. Durante o período de defeso do caranguejo-uçá, quando a captura é proibida entre outubro e novembro, a remuneração pela limpeza funciona como complemento de renda. Outro efeito é o fortalecimento do turismo de base comunitária, favorecido pela melhoria do cenário ambiental.
O Andadas Ecológicas integra a Operação LimpaOca, que desde 2012 já recolheu mais de 100 toneladas de resíduos em manguezais da Área de Proteção Ambiental de Guapimirim. Entre os materiais retirados estão móveis, lixo eletrônico, madeira e brinquedos, mas o plástico segue como o resíduo mais frequente.
As ações de recuperação ambiental na região tiveram início após o vazamento de óleo causado pelo rompimento de um duto em 2000. Desde então, projetos contínuos de limpeza e educação ambiental vêm consolidando uma estratégia de longo prazo, com foco na valorização das comunidades locais e na melhoria da qualidade de vida.
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