Caixa retoma financiamento de imóveis acima de R$ 2,25 milhões com recursos da poupança

Com a mudança, a Caixa volta a atuar em todas as faixas de financiamento habitacional com recursos da poupança

A Caixa Econômica Federal anunciou a retomada do financiamento de imóveis residenciais acima de R$ 2,25 milhões utilizando recursos da caderneta de poupança. A modalidade estava suspensa desde outubro de 2024 e volta a ser disponibilizada para pessoas físicas dentro do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI).

A medida amplia novamente o acesso ao crédito para imóveis de alto padrão e ocorre após mudanças regulatórias que aumentaram a disponibilidade de recursos da poupança para o mercado habitacional.

Segundo o banco, a decisão ocorre em um momento de melhora na liquidez do sistema que financia o setor imobiliário, permitindo que as operações sejam retomadas gradualmente.

Modalidade do financiamento de imóveis estava suspensa

O financiamento nessa faixa de valor havia sido interrompido em outubro do ano passado. Naquele momento, a Caixa decidiu priorizar empréstimos para imóveis de menor valor, diante da redução de recursos disponíveis na poupança.

Durante o período de suspensão, o banco direcionou os recursos principalmente para operações enquadradas no Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que atende imóveis com valores mais baixos e concentra a maior parte da demanda por crédito habitacional no país.

A estratégia buscava:

  • Democratizar o acesso ao financiamento;
  • Atender um número maior de famílias;
  • Ajustar a oferta de crédito à queda na captação da poupança.

Nos últimos anos, a caderneta tem registrado mais saques do que depósitos, o que reduziu temporariamente os recursos disponíveis para novos financiamentos.

Recursos da poupança voltam ao do financiamento de imóveis de alto padrão

Com a retomada da modalidade, clientes de maior renda voltam a poder financiar imóveis por meio do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), considerado a principal fonte de recursos para o crédito imobiliário no país.

De acordo com a vice-presidente de Habitação da Caixa, Inês Magalhães, mudanças implementadas no pacote habitacional anunciado no final do ano passado ampliaram a disponibilidade de recursos da poupança para o setor.

Segundo a executiva, a reabertura dessa linha de financiamento:

  • amplia a atuação do banco no mercado imobiliário;
  • fortalece o relacionamento com clientes de maior renda;
  • contribui para aquecer o setor da construção civil.

Mudanças nas regras do crédito imobiliário

No final de 2025, o governo federal anunciou alterações no modelo de financiamento habitacional com recursos da poupança.

Entre as principais mudanças está a redução gradual da parcela dos depósitos que os bancos precisam manter parada no Banco Central — conhecida como compulsório.

A expectativa é que, gradualmente, até 100% dos recursos da poupança possam ser usados como referência para financiamentos imobiliários, ampliando a oferta de crédito para o setor.

Essas alterações ajudaram a aumentar a liquidez do sistema e abriram espaço para a retomada das operações para imóveis de maior valor.

Exigência de selo de sustentabilidade

Mesmo com a retomada do financiamento, alguns projetos continuam sujeitos a critérios ambientais.

A Caixa exige que determinados empreendimentos obtenham o Selo Casa Azul Uni, certificação de sustentabilidade concedida pelo banco.

O selo avalia critérios como:

  • eficiência energética;
  • uso responsável de recursos naturais;
  • gestão ambiental da obra;
  • impacto social do empreendimento.

Os projetos podem receber classificação em três níveis:

  • Bronze
  • Prata
  • Ouro

A iniciativa está alinhada às metas ambientais, sociais e de governança (ESG) adotadas pela instituição financeira.

Impacto do financiamento de imóveis no mercado imobiliário

A retomada do financiamento de imóveis acima de R$ 2,25 milhões tende a estimular o segmento de alto padrão, que também depende do crédito bancário para movimentar vendas e novos empreendimentos.

Especialistas do setor avaliam que a medida pode:

  • aumentar a oferta de crédito imobiliário;
  • estimular novos projetos de construção;
  • fortalecer o mercado imobiliário em diferentes faixas de valor.

Com a mudança, a Caixa volta a atuar em todas as faixas de financiamento habitacional com recursos da poupança, atendendo tanto imóveis populares quanto unidades de alto padrão.

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