O cenário do comércio exterior entre Brasil e Estados Unidos sofreu uma reviravolta dramática no último fim de semana. Após a Suprema Corte dos EUA derrubar o chamado “tarifaço” na sexta-feira (20), o presidente Donald Trump reagiu rapidamente utilizando a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974 para instituir uma nova tarifa global de 15%.
Para os exportadores brasileiros, a notícia é mista, mas tende ao otimismo. Embora o novo adicional de 15% atinja quase todos os parceiros comerciais dos EUA, ele substitui sobretaxas que chegavam a 40% para diversos itens nacionais. Na prática, o Brasil recupera competitividade frente a outros países que antes não eram tão taxados.
O que mudou na prática?
A decisão judicial invalidou as tarifas baseadas na lei IEEPA (Poderes Econômicos de Emergência). Com isso, as cobranças para o Brasil foram recalibradas:
- Fim da Sobretaxa de 40%: Itens que estavam severamente taxados desde julho de 2025 voltam à alíquota comum, acrescida apenas do novo adicional global.
- Novo Adicional de 15%: A partir das 00h01 desta terça-feira (24), incide uma taxa temporária de 15% sobre a maioria das importações nos EUA.
- Aço e Alumínio: Atenção! As taxas de 50% sobre esses setores permanecem inalteradas, pois se baseiam em outra legislação (Seção 232).
Quais produtos brasileiros estão isentos ou beneficiados?
Apesar do anúncio agressivo, o governo Trump manteve uma lista de exceções estratégicas para evitar desabastecimento no mercado americano. Muitos desses produtos são pilares da pauta exportadora brasileira:
| Categoria | Situação Atual (fev/2026) |
|---|---|
| Café, Carnes e Frutas | Isentos da sobretaxa global de 15%. |
| Aeronaves (Embraer) | Mantida a isenção por importância estratégica. |
| Celulose e Suco de Laranja | Tarifa zerada ou com exceções técnicas aplicadas. |
| Minerais Críticos e Fertilizantes | Livre de novas taxas para não encarecer a indústria dos EUA. |
| Manufaturados (Motores, Máquinas) | Sujeitos ao novo adicional de 15% (antes chegava a 40%). |
Por que o Brasil é o “maior beneficiado”?
Segundo a organização Global Trade Alert, o Brasil terá a maior redução na tarifa média entre todos os países (queda de 13,6 pontos percentuais). Isso ocorre porque estávamos entre os mais punidos pelo modelo anterior. Como a nova taxa de 15% é “igual para todos”, o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que o Brasil não perde competitividade: “O que estava acontecendo é que o Brasil estava com uma tarifa de 40% que ninguém mais tinha”.
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