Com dimensões territoriais continentais que somam mais de 903 mil quilômetros quadrados, o estado de Mato Grosso possui 114 locais de votação classificados como de difícil acesso para o pleito deste domingo (4). Espalhadas por comunidades rurais, ribeirinhas e aldeias indígenas, essas localidades ficam situadas a distâncias que chegam a 350 quilômetros dos municípios-sede das respectivas Zonas Eleitorales.
A megaoperação montada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) envolve transporte fluvial, aéreo, terrestre por estradas de terra e até travessias por pontes de madeira para garantir que o voto chegue a cada cidadão, independentemente de onde ele viva.
O Perfil dos locais de difícil acesso
Do total de 114 pontos mapeados pela Justiça Eleitoral no estado:
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38 locais estão situados em aldeias indígenas;
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66 locais ficam em áreas rurais;
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10 locais pertencem a áreas urbanas que enfrentam forte isolamento logístico, estradas precárias ou exigem travessia fluvial (como a Escola Estadual Olavo Bilac, em Rondolândia).
A 57ª Zona Eleitoral, com sede em Paranatinga, lidera o ranking estadual com o maior número de pontos isolados, somando 12 localidades — sendo 11 delas acessíveis apenas por vias não asfaltadas e seis em aldeias indígenas da região do Xingu e arredores.
Desafios Logísticos: Rios, Estradas de Terra e Aviões
Para vencer as barreiras geográficas de Mato Grosso, a estrutura do TRE-MT utiliza recursos de transporte variados:
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Transporte fluvial, terrestre e pontes: Em pelo menos oito localidades, o trajeto exige a combinação de estradas de terra, trechos de asfalto e barcos. Exemplos disso são os caminhos para a Escola Estadual Indígena Kamadu (Aldeia Tuba Tuba) e para a Escola Municipal Jaytatá (Aldeia Sobradinho), ambas em Marcelândia, cujos percursos também incluem travessias por pontes de madeira.
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Apoio aéreo: Sete localidades isoladas dependem exclusivamente de transporte aéreo para o envio de urnas, equipamentos e mesários, compreendendo aldeias como Metuktire e Capoto (Peixoto de Azevedo), Pavuru (Feliz Natal), Perigara (Barão de Melgaço), além de Villas Boas, Ipatse e Mehinako (Gaúcha do Norte).
Os 114 locais de votação em áreas de difícil acesso fazem parte de das seguintes Zonas Eleitorais: 3ª ZE(Rosário Oeste e Nobres), 6ª ZE (Cáceres), 7ª ZE (Alto Paraguai), 8ª ZE (Alto Araguaia), 9ª ZE (Barra do Garças), 11ª ZE (Aripuanã e Colniza), 15ª ZE (São Félix do Araguaia, Novo Santo Antônio, Luciara, Alto Boa Vista), 16ª ZE (Vila Rica, Santa Terezinha e Santa Cruz do Xingu), 18ª ZE (Porto Esperidião), 19ª ZE(Tangará da Serra), 20ª ZE (Nossa Senhora do Livramento), 23ª ZE (Nova Canaã do Norte), 25ª ZE (Vila Bela da Santíssima Trindade), 26ª ZE (Novo São Joaquim, Campinápolis e Nova Xavantina), 27ª ZE (Juara e Tabaporã), 28ª ZE (Confresa, São José do Xingu e Porto Alegre do Norte), 29ª (São José do Rio Claro e Nova Maringá), 30ª ZE (Cocalinho), 31ª ZE (Ribeirão Cascalheira e Canarana), 32ª ZE (Marcelândia), 33ª ZE (Peixoto de Azevedo e Matupá), 34ª ZE (Chapada dos Guimarães e Planalto da Serra), 35ª ZE(Castanheira e Juína), 36ª ZE (Feliz Natal), 38ª ZE (Santo Antônio de Lerverger e Barão de Melgaço), 43ªZE (Nova Ubiratã e Boa Esperança do Norte), 45ª ZE (Pedra Preta); 48ª ZE (Cotriguaçu), 50ª ZE (Nova Monte Verde, Nova Bandeirantes e Apiacás), 53ª ZE (Querência e Bom Jesus do Araguaia), 56ª ZE(Brasnorte), 57ª ZE (Paranatinga e Gaúcha do Norte) e 61ª ZE (Comodoro e Rondolândia).
A 57ª Zona Eleitoral, com sede em Paranatinga, é a que mais possui locais de difícil acesso. São 12 localidades, sendo que em 11 o deslocamento ocorre por vias sem asfalto. Deste total, 6 ficam nas seguintes aldeias indígenas: Ulupuwene (Escola Indígena Municipal Ulupuwene), no município de Gaúcha do Norte; Aldeia Pakuera – Posto Indígena Simões Lopes – Bakairi (Escola Municipal José Pires Uluco), em Gaúcha do Norte; Aldeia Central Posto Indígena Marechal Rondon – Xavante (Escola Municipal Marechal Rondon), em Paranatinga; Aldeia Vilas Boas (Posto Leonardo), em Gaúcha do Norte; Aldeia Ipatse – Etnia Kuikuro (Escola Estadual Karib (Kuikuro)), em Gaúcha do Norte; e Aldeia Mehinako (Escola Municipal Mehinako), também em Gaúcha do Norte.
Tecnologia e Transmissão de Resultados via Satélite
Para assegurar a rapidez na apuração, o TRE-MT estruturou um esquema tecnológico robusto. Ao todo, 131 técnicos atuarão na operação de transmissão de dados nestes locais.
Todas as 114 seções de difícil acesso utilizarão o sistema JE Connect, contando com conexão de internet via satélite e pen drives especiais para a leitura e envio dos boletim de urna. Foram enviados aos cartórios eleitorais 572 dispositivos JE Connect e 199 kits reserva para prevenir eventuais falhas técnicas.
“Preparamos todos os detalhes para chegar a cada pessoa deste estado, desde equipamentos de informática, urnas eletrônicas, mesários e colaboradores até o apoio das forças de segurança”, ressalta a presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves.
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