O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou, neste domingo (23), que o Ibas deve recuperar sua posição de liderança em discussões internacionais, especialmente na governança da inteligência artificial, na promoção do trabalho decente e em temas de saúde pública. Segundo ele, o fórum ficou paralisado por anos, mas pode ganhar novo impulso com iniciativas coordenadas entre Índia, Brasil e África do Sul.
Durante a reunião de líderes em Joanesburgo, realizada paralelamente à Cúpula do G20, Lula afirmou que os três países têm capacidade para conciliar soberania, desenvolvimento e defesa da democracia, contribuindo de forma decisiva para a ordem global. Ele também ressaltou que o grupo reúne condições para avançar em pautas como acesso a medicamentos, vacinação, equidade de gênero e direitos reprodutivos.
O presidente reforçou ainda que sindicatos e organizações da sociedade civil devem inspirar debates sobre os desafios do trabalho em mercados emergentes, incluindo a busca por uma governança justa da inteligência artificial, garantindo que o avanço tecnológico beneficie o desenvolvimento de forma equilibrada.
Lula lembrou que os líderes do fórum não se encontravam desde 2011 e defendeu a retomada da regularidade dessas reuniões. Para ele, o Ibas precisa reforçar sua identidade própria e evitar a sobreposição de agendas com outros blocos, como o Brics. O presidente citou o Fundo Ibas como exemplo de cooperação bem-sucedida, destacando o financiamento de 51 projetos em 40 países e sua contribuição para iniciativas globais contra a fome e a pobreza.
Na agenda do dia, Lula participou das sessões temáticas do G20 sobre crescimento sustentável, mudança do clima e gestão de minerais críticos, além de encontros bilaterais com líderes da África do Sul e da Alemanha. Ele segue agora para Maputo, em Moçambique, onde inicia uma visita de trabalho que marca os 50 anos de relações diplomáticas entre os dois países.
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