O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), retoma os trabalhos legislativos nesta segunda-feira (2/2) mergulhado em uma operação de “controle de danos”. Após um 2025 marcado por promessas contraditórias, cassações históricas e ocupações físicas do plenário, a estratégia para o início de 2026 é baixar a temperatura política com uma pauta focada em temas sociais e econômicos menos divisivos antes do Carnaval.
O principal item da pauta de hoje é a Medida Provisória do programa Gás do Povo, uma prioridade do governo Lula que está prestes a expirar. A escolha do tema sinaliza uma tentativa de Motta de reconstruir pontes com o Palácio do Planalto após o desgaste gerado pelo PL da Anistia.
O Saldo de um 2025 Turbulento
A gestão de Motta no ano passado foi marcada por um malabarismo político que acabou por isolá-lo de ambos os lados do espectro partidário.
1. O Dilema da Anistia
Motta prometeu à oposição o avanço da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e, simultaneamente, garantiu ao governo que o projeto não caminharia. O resultado foi um texto de “meio-termo” articulado pelo Centrão que reduziu penas, mas não concedeu perdão total.
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Status: O projeto foi aprovado em dezembro, mas o presidente Lula anunciou o veto simbólico no último dia 8 de janeiro.
2. A “Limpeza” da Casa: Cassações e Ausências
A Câmara encerrou o ano com uma composição alterada após processos administrativos e judiciais que removeram nomes de peso:
| Deputado | Motivo da Perda de Mandato | Situação Atual |
| Chiquinho Brazão | Excesso de faltas (preso pelo caso Marielle) | Mandato extinto administrativamente |
| Carla Zambelli | Condenação definitiva pelo STF | Renunciou após anulação de votação; presa na Itália |
| Eduardo Bolsonaro | Abandono de mandato (mudança para os EUA) | Perda do cargo oficializada em dezembro |
| Alexandre Ramagem | Condenação pelo STF e saída clandestina do país | Mandato cassado; localizado em Miami pela PF |
| Glauber Braga | Quebra de decoro (conflito com MBL) | Suspenso por 6 meses (manteve o cargo) |
Conflitos de Autoridade e a Mesa Ocupada
Dois episódios de ocupação da Mesa da Presidência em 2025 expuseram a fragilidade de Motta no comando:
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Agosto de 2025: A oposição ocupou a cadeira da presidência por 30 horas, exigindo o impeachment de Alexandre de Moraes e a votação da anistia. Motta ameaçou punições, mas recuou, deixando os processos parados na Corregedoria.
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Dezembro de 2025: Glauber Braga ocupou a Mesa contra seu processo de cassação. A resposta foi mais dura: a Polícia Legislativa retirou o deputado à força, em um episódio que terminou com agressões a jornalistas e interrupção das transmissões oficiais.
O que esperar de 2026?
Além do Gás do Povo, Motta tenta desviar de pautas explosivas como a CPI do Banco Master, preferindo que tais investigações fiquem com o Senado.
No horizonte de longo prazo, as reformas seguem em “marcha lenta”:
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Reforma Administrativa: Motta admitiu que o debate é “desafiador” em ano eleitoral e não há data para votação.
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Segurança Pública: A PEC da Segurança e o Projeto Antifacção enfrentam forte resistência de governadores, que temem a perda de autonomia das polícias estaduais.
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