Ex-ministros de Estado, economistas, empresários e representantes da sociedade civil divulgaram neste domingo (13) uma carta de apoio ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin. O documento manifesta respaldo às medidas adotadas pelo ministro para preservar a autoridade da Corte e defende uma apuração rigorosa e imparcial das acusações que vieram a público nas últimas semanas.
Os signatários afirmam que a investigação dos fatos e a eventual responsabilização de quem tenha violado a lei ou a dignidade do cargo são necessárias para recuperar a confiança nas instituições e preservar a democracia.
A carta também pede reformas institucionais urgentes no STF. Entre os objetivos apontados estão o fortalecimento da colegialidade, a garantia de julgamentos imparciais, a prevenção de conflitos de interesse, a adoção de padrões rigorosos de conduta e o aumento da transparência e do controle social sobre a Corte e seus integrantes.
Crise no STF
O STF enfrenta uma crise interna há cerca de duas semanas. A divulgação de conversas atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso sob acusação de fraudes financeiras, e ao ministro Alexandre de Moraes desencadeou uma série de acontecimentos dentro da Corte.
Na sequência, Moraes apresentou acusações contra o ministro André Mendonça no âmbito do inquérito das Fake News. O relatório apontou que Mendonça teria, em tese, praticado condutas que poderiam ser enquadradas como improbidade administrativa, abuso de autoridade e favorecimento a determinados grupos políticos.
Em meio ao conflito entre os ministros, Fachin decidiu retirar de Moraes a relatoria do inquérito das Fake News.
Para a próxima terça-feira (15), está prevista uma sessão plenária extraordinária do STF destinada a analisar a abertura de uma possível investigação sobre as supostas relações entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
Também está marcada para 23 de setembro uma sessão para analisar o pedido de investigação contra André Mendonça. Segundo Fachin, o procedimento ainda está em fase de instrução e, neste momento, não reúne todos os elementos necessários para ser submetido ao plenário.
Reformas defendidas
Os autores da carta consideram que a superação da crise depende de mudanças institucionais capazes de reforçar a atuação colegiada do STF e garantir maior imparcialidade nos julgamentos.
O documento também defende mecanismos para prevenir conflitos de interesse e ampliar a transparência da Corte. Para os signatários, essas medidas são importantes para impedir que a jurisdição do Supremo seja influenciada por interesses pessoais, políticos ou econômicos contrários à democracia constitucional.
A carta destaca ainda a necessidade de que as investigações e a sessão plenária prevista para 15 de setembro tenham ampla transparência e ocorram de forma pública, conforme o artigo 93, inciso IX, da Constituição Federal.
Signatários da carta
Entre os nomes que assinam o documento estão os ex-ministros Pedro Malan, Armínio Fraga, Miguel Reale Jr. e José Eduardo Cardozo, além do economista Pérsio Árida e do jornalista Eugênio Bucci.
As informações utilizadas nesta reportagem foram fornecidas pela Agência Brasil, fonte responsável pelos dados sobre a carta e os acontecimentos relacionados ao STF.
Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.