O ex-deputado estadual do Rio de Janeiro Thiago Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, virou réu na Justiça Federal por suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho (CV), apontado como a maior facção criminosa do estado. As informações são da Agência Brasil.
TH Joias foi preso em setembro de 2025 durante a Operação Zargun, que investigava uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de armas, tráfico de drogas e corrupção.
Na época da prisão, ele exercia o mandato de deputado estadual como suplente na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Após a prisão, o titular reassumiu a cadeira, e TH Joias deixou o mandato.
Réus na ação
Depois das investigações, o Ministério Público Federal (MPF) apresentou denúncia à Justiça. Além de TH Joias, também se tornaram réus Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio”, apontado como integrante de uma organização criminosa que atua no Complexo do Alemão; Luciano Martiniano da Silva, o “Pezão”, indicado como liderança do mesmo complexo; Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, conhecido como “Dudu”, identificado na denúncia como empresário; Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário estadual de Esportes e ex-ocupante de cargos comissionados na Alerj; e Gustavo Stteel, delegado da Polícia Federal.
O caso tem como relator no Tribunal Regional Federal o desembargador federal Flávio Oliveira Lucas. A decisão manteve a prisão preventiva dos réus, com exceção de Gustavo Stteel, que passará à prisão domiciliar, com restrição de atividades e monitoramento eletrônico. O delegado também ficará afastado do cargo na Polícia Federal.
Para TH Joias, o TRF determinou a transferência para uma penitenciária federal. Já Pezão permanece foragido.
Os réus respondem por crimes como organização criminosa, tráfico de drogas, tráfico internacional e comércio ilegal de armas de fogo, associação para o tráfico, posse ou porte de arma de fogo de uso restrito e corrupção ativa e passiva.
Suspeita de articulação política
De acordo com a acusação, TH Joias teria atuado como articulador entre integrantes da organização criminosa e agentes públicos. A denúncia também aponta participação em negociações envolvendo drogas, armas e equipamentos antidrones. Segundo o MPF, o ex-parlamentar teria usado o gabinete para acomodar indicações feitas pela facção.
A acusação afirma ainda que o grupo mantinha conexões com o Comando Vermelho e teria participado da compra e distribuição de armas vindas do Paraguai.
As investigações apontam que o ex-secretário Alessandro Pitombeira Carracena teria vazado informações policiais em troca de vantagens indevidas.
No caso do delegado Gustavo Stteel, a denúncia sustenta que ele teria repassado informações privilegiadas e tentado intervir em favor de lideranças do grupo. Em troca, segundo a acusação, teria buscado cargos públicos para a própria companheira, além de outras contrapartidas.
Caso Bacellar amplia repercussão
A Operação Zargun também teve desdobramentos na cúpula política do Rio de Janeiro. Três meses depois da prisão de TH Joias, a Operação Unha e Carne prendeu o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, do União Brasil.
Bacellar foi acusado de repassar informações da Zargun para TH Joias. Ele permaneceu preso por cinco dias por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) e foi libertado após a Alerj revogar a prisão com base na Constituição. No dia seguinte à soltura, pediu licença do cargo.
Bacellar havia assumido interinamente o governo do estado e era cotado para disputar o governo do Rio de Janeiro nas eleições de outubro de 2026.
A saída de Bacellar da presidência da Alerj está entre os fatores relacionados à atual situação política do estado, que passou a ser governado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto de Castro.
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