Estudantes do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, organizaram um protesto nesta terça-feira (10) em frente à reitoria, exigindo a retomada de aulas sobre violência de gênero e educação sexual. A manifestação ocorre após a repercussão de um estupro coletivo envolvendo alunos da instituição.
A Polícia Civil investiga dois casos adicionais de violência sexual, envolvendo integrantes do mesmo grupo, incluindo um adolescente apontado como mentor das ações.
Durante o ato, a estudante Ana Belarmino destacou que a falta de conhecimento sobre violência de gênero prejudica a identificação de abusos. Ela defendeu a inclusão urgente desses temas nas salas de aula para conscientizar alunos sobre seus corpos e tipos de violência sexual.
Gabriel Pinho Leite Monteiro, presidente do grêmio do campus Humaitá, também pediu medidas contra o assédio moral e sexual, reforçando que a iniciativa não configura doutrinação política. Segundo ele, a educação deve formar indivíduos que não reproduzam violência contra mulheres.
O Brasil possui legislações que incentivam a educação sexual e de gênero, como o Programa Saúde na Escola e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), embora setores conservadores critiquem sua aplicação.
Política contra o assédio
Na manifestação, estudantes cobraram a implementação da política de combate ao assédio, aprovada em 2025, mas que só teve uma comissão criada nesta segunda-feira (9). A professora Priscila Bastos afirmou que a escola ainda não estava preparada para lidar com denúncias, muitas vezes tratadas como “falta de urbanidade” e demorando até dois anos para serem apuradas.
O Coletivo Resistência, formado por pais e ex-alunos, apoia a criação de políticas amplas de prevenção e combate ao assédio, mas destaca a necessidade de apoio da sociedade e de políticas públicas do Estado. Segundo a representante Maíra Arêas, a violência contra mulheres não é um caso isolado e exige ações estruturais.
A reitoria do Pedro II afirmou que enfrenta e previne condutas inadequadas desde janeiro de 2026, garantindo que o tema é tratado com seriedade e que não há silêncio institucional.
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