O futuro do Rio Cuiabá voltou ao centro do debate público. Uma expedição fluvial reuniu pescadores, ribeirinhos, especialistas ambientais e representantes do poder público para discutir os desafios enfrentados pela pesca artesanal e os impactos ambientais no rio.
O encontro ocorreu no Centro de Eventos Beira Rio, na comunidade São Gonçalo Beira Rio, em Cuiabá. A reunião integra uma expedição liderada pelo deputado estadual Wilson Santos, que percorre aproximadamente 900 quilômetros pelo rio para ouvir comunidades e ampliar o debate sobre preservação ambiental e políticas públicas.
Comunidades rejeitam hidrelétricas no rio
Durante o encontro, moradores e pescadores reforçaram a preocupação com projetos de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) previstos para um trecho de cerca de 190 quilômetros do Rio Cuiabá. A proposta previa geração total de 156 megawatts de energia.
Segundo o parlamentar, o projeto não foi aprovado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente. Ele também destacou que, nas comunidades visitadas ao longo da expedição, a posição tem sido praticamente unânime.
- Comunidades ribeirinhas manifestaram rejeição às hidrelétricas;
- Moradores apontam riscos ao equilíbrio ambiental;
- Pescadores temem impactos diretos na atividade pesqueira.
Para os participantes, preservar o Rio Cuiabá é fundamental para garantir o sustento das famílias e a manutenção das tradições culturais da região.
Seguro-defeso preocupa pescadores
Outro ponto central discutido foi o atraso no pagamento do seguro-defeso, benefício pago aos pescadores durante o período da piracema, quando a pesca é proibida para garantir a reprodução dos peixes.
Em Mato Grosso, pescadores relatam que ficaram cerca de quatro meses sem trabalhar e ainda aguardam a liberação do benefício. A situação tem gerado insegurança econômica para muitas famílias que dependem da pesca artesanal.
Representantes do governo federal explicaram que os pagamentos dependem de análise técnica e disponibilidade orçamentária. Uma medida provisória publicada em 2025 determinou revisão nos cadastros para verificar quem realmente exerce a atividade pesqueira.
Enquanto isso, comunidades seguem aguardando a regularização dos pagamentos.
Baixa adesão a programa estadual
Durante o encontro, também foi debatida a baixa adesão ao programa estadual de apoio aos pescadores. Muitos profissionais temem que a participação no auxílio possa afetar o direito à aposentadoria especial.
Essa dúvida tem provocado resistência entre trabalhadores da pesca, que preferem aguardar esclarecimentos antes de aderir ao programa.
Importância ambiental e econômica
Especialistas e moradores destacaram que o Rio Cuiabá possui papel essencial para a economia local, cultura ribeirinha e equilíbrio ambiental. A pesca artesanal, o turismo e o artesanato dependem diretamente da conservação do rio.
Também foram lembrados impactos ambientais registrados desde a construção da Barragem de Manso, na década de 1990, apontada por pescadores como um dos fatores que alteraram o comportamento do rio e a atividade pesqueira.
A expedição conta com a participação de instituições públicas, pesquisadores e órgãos ambientais, que acompanham o trajeto para registrar informações e ampliar o diálogo com as comunidades.
Para os organizadores, ouvir quem vive às margens do Rio Cuiabá é essencial para construir soluções que conciliem desenvolvimento, preservação ambiental e proteção da pesca artesanal.
Qual a sua opinião sobre o futuro do rio e da pesca na região? Comente e participe do debate!
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