O cenário político de Mato Grosso para 2026 desenha-se como um verdadeiro “tabuleiro de xadrez” técnico, onde a popularidade dos candidatos terá que enfrentar o rigor do quociente eleitoral. Com a aproximação da janela partidária, partidos de peso como o União Progressista (UB/PP) e o Republicanos mergulham em cálculos profundos, cientes de que possuir nomes de peso não é mais garantia de cadeira cativa. A projeção de votos necessários para garantir cada assento na Assembleia Legislativa subiu, transformando a disputa interna em uma sobrevivência política onde apenas a densidade eleitoral extrema poderá salvar veteranos.
No centro dessa tempestade de bastidores, o União Progressista enfrenta o dilema da abundância: quatro deputados de alto calibre — Botelho, Dilmar, Júlio e Rezende — disputam um espaço que, matematicamente, deve comportar apenas três eleitos. Enquanto a cúpula do partido prega otimismo, os números reais apontam que serão necessários mais de 240 mil votos para sustentar uma quarta vaga, um teto que raramente se concretiza sem um fenômeno de votos. O resultado é uma tensão latente entre aliados que, em breve, serão competidores diretos pela atenção e pelo voto do cidadão mato-grossense.
Paralelamente, a corrida para a Câmara Federal revela o drama do Republicanos, que busca desesperadamente um “puxador de votos” para não passar em branco em Brasília. O partido, que hoje orbita a influência do vice-governador Otaviano Pivetta, vê sua competitividade atrelada à decisão de Juarez Costa, atualmente encurralado pelo MDB. Sem um nome que garanta o elevado quociente federal de 230 mil votos, o partido corre o risco de ver nomes experientes como Neri Geller e Leonardo Albuquerque ficarem pelo caminho, evidenciando que, em 2026, a estratégia partidária será tão importante quanto o carisma no palanque.
União Progressista: 4 nomes para 3 vagas na AL
Apesar da confiança da cúpula, os números projetam um cenário desafiador para a junção UB/PP. Com um quociente eleitoral estimado em 78 mil votos por cadeira, o grupo precisaria ultrapassar os 240 mil votos para eleger quatro deputados — uma meta considerada difícil.
A disputa interna foca em quatro gigantes da política estadual que buscam a reeleição:
- Eduardo Botelho
- Dilmar Dal Bosco
- Júlio Campos
- Sebastião Rezende
Pela projeção conservadora de três vagas, um desses nomes inevitavelmente ficará de fora do Legislativo.
Republicanos: “Juntos e Misturados” no risco
O cenário se repete no Republicanos. O partido também trabalha com a projeção de três assentos na Assembleia Legislativa, mas conta com quatro parlamentares em campanha pela reeleição: Nininho, Valmir Moretto, Diego Guimarães e José Eugênio.
Nininho desponta como favorito pelo histórico de votação (superior a 50 mil votos em 2022) e forte logística. No entanto, a entrada de Alan Porto (Secretário de Educação) na disputa, que se filia ao partido no fim deste mês, aumenta a pressão sobre os atuais ocupantes das cadeiras.
Câmara Federal: O fator Juarez Costa
Se na Assembleia a briga é por espaço, na Câmara Federal o Republicanos luta por sobrevivência. O partido depende da filiação de Juarez Costa para se tornar competitivo. Contudo, Juarez está “encurralado” pelo MDB nacional, que não abre mão do seu potencial como puxador de votos.
Com um quociente para Brasília estimado em 230 mil votos, o Republicanos hoje conta apenas com quatro nomes de destaque:
- Neri Geller e Leonardo Albuquerque (ex-federais);
- Acácio Ambrosini (Sorriso) e Eduardo Sanches (Tangará da Serra).
O partido do vice-governador Pivetta ainda tenta atrair nomes como Maysa Leão e Felipe Wellaton para completar a chapa e tentar garantir ao menos uma vaga entre os oito federais de MT.
As definições finais dependem do fechamento da janela partidária.
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