O cenário desenhado em Washington nas últimas 48 horas não é apenas uma notícia de economia internacional; é um alerta de sinal vermelho para a estratégia comercial do agronegócio brasileiro. O “tarifaço” de até 37,5% cogitado pelo governo Trump toca na ferida de práticas que, embora técnicas e jurídicas, escondem uma guinada protecionista que afeta diretamente o nosso quintal em Mato Grosso.
Onde Mato Grosso entra nessa história? Embora itens vitais como a carne bovina e o café verde tenham sido (até agora) poupados, o agronegócio não opera em ilhas. O risco aqui não é apenas o imposto direto, mas a instabilidade sistêmica. Quando os EUA questionam “práticas desleais” ou “trabalho forçado” no Brasil, eles criam uma narrativa que contamina toda a imagem do nosso produto, inclusive daquilo que hoje está blindado.
Para o produtor mato-grossense, que tem na exportação o seu maior cliente, a lição é clara: a dependência de um único fluxo ou a aposta em uma diplomacia comercial estática é um risco que não podemos mais correr.
Essa escassez de recursos pressiona ainda mais a produtividade, que já enfrenta os desafios apontados em nossa análise sobre os riscos do endividamento no campo.
O perigo do “efeito cascata”: Setores como o de derivados de cana e madeira, que estão na mira, são braços importantes da diversificação econômica que Mato Grosso busca. Se esses setores perdem competitividade no maior mercado do mundo, a pressão por novos mercados aumenta, o dólar sofre volatilidade e a margem de negociação do produtor final, aqui no campo, diminui drasticamente.
A “postura agressiva” de Washington, relatada pelo USTR, indica que o jogo mudou. Não estamos falando apenas de taxas alfandegárias, mas de uma nova geopolítica do agro onde o “padrão de qualidade” está sendo usado como barreira não tarifária.
Conclusão do especialista: O momento exige que o setor produtivo de Mato Grosso, através de suas entidades, fortaleça a transparência. A melhor resposta para a acusação de “práticas desleais” ou fragilidades trabalhistas é a rastreabilidade total. Mato Grosso tem a tecnologia para provar a sua sustentabilidade. Precisamos, agora, transformar essa capacidade técnica em uma ferramenta de defesa diplomática agressiva.
Não podemos esperar pela decisão final sem um plano B. O mercado internacional não perdoa a falta de previsibilidade, e o produtor mato-grossense não pode ser a variável de ajuste dessa disputa de gigantes.
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