Mato Grosso mira independência das rodovias: ferrovias e etanol de milho transformarão logística em dez anos, aponta Cidinho Santos

A reportagem do CenárioMT apurou as discussões em torno do futuro logístico do país durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF), realizado nos dias 1º e 2 de outubro em São Paulo. O evento reuniu as principais lideranças do setor para debater gargalos, inovação e sustentabilidade, com destaque para a avaliação do empresário e ex-senador Cidinho Santos sobre os rumos do escoamento da safra em Mato Grosso.

Participando do painel “Logística e Infraestrutura: O Futuro do Escoamento da Produção” na qualidade de CEO do Grupo MC Empreendimentos e presidente licenciado do Conselho de Administração da Nova Rota do Oeste, Cidinho foi enfático ao projetar uma guinada histórica na matriz de transportes mato-grossense nos próximos anos.

“Mato Grosso caminha para resolver os gargalos da produção com as ferrovias. Temos a Fico, a Ferrogrão e a Ferrovia Estadual. Nos próximos cinco a dez anos, Mato Grosso estará muito bem servido no modal ferroviário“, afirmou o empresário durante o debate.

O impacto estratégico do etanol de milho e a força da BR-163

Para o executivo, a expansão combinada dos trilhos — abrangendo a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), a Ferrogrão e a malha estadual — é uma resposta indispensável ao ritmo acelerado de crescimento da agropecuária e da indústria no Estado. No entanto, Cidinho destacou que o avanço do etanol de milho já funciona como um amortecedor vital para o sistema atual.

Ao processar o grão dentro do próprio território mato-grossense, parte expressiva da produção deixa de sobrecarregar as estradas rumo aos portos de exportação.

“Se não fosse o etanol de milho, teríamos hoje muito mais problemas de armazenagem e um déficit muito maior. Estamos transformando essa produção dentro do próprio estado, mas ainda precisamos avançar muito em infraestrutura e logística“, ponderou.

Para que novos investimentos privados ganhem escala, o ex-senador ressaltou que o país precisa equacionar barreiras macroeconômicas e regulatórias fundamentais: “Precisamos resolver a questão dos juros absurdos, a questão ambiental e ter segurança jurídica para que seja possível fazer bons investimentos“.

No eixo rodoviário, Cidinho destacou o andamento das frentes de modernização na BR-163, principal corredor em direção ao Arco Norte. Atualmente, cerca de 5 mil trabalhadores estão mobilizados nas obras de duplicação e melhoria contínua da rodovia sob a gestão da concessionária.

Multimodalidade e os desafios da armazenagem

A necessidade de diversificação logística também norteou a fala de Fernando Dihel, diretor-executivo da Ultracargo, que defendeu a integração inteligente entre ferrovias, rodovias e cabotagem para baratear custos operacionais conforme o destino final da carga.

Outro ponto nevrálgico do painel foi a armazenagem estática. Elisangela Pereira Lopes, da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura, alertou para o descompasso persistente entre a expansão das safras brasileiras e a capacidade de armazenamento disponível. Complementando o raciocínio, o CEO da Kepler Weber, Bernardo Nogueira, avaliou que a consolidação da agricultura moderna abre espaço para um ciclo inédito de investimentos privados em silos e unidades de beneficiamento diretamente nas regiões produtoras.

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