Nova ferrovia de 1.527 km pode transformar logística do agro e aproximar Mato Grosso dos portos brasileiros

Projeto ferroviário de 1.527 km pretende ligar áreas produtoras do interior à Ferrovia Norte-Sul e aos portos. Corredor pode impactar diretamente o agronegócio de Mato Grosso.

Uma ferrovia de mais de 1.500 quilômetros está no centro de uma das maiores apostas logísticas do Brasil para as próximas décadas. Projetada para conectar regiões produtoras do interior aos portos e à principal malha ferroviária nacional, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) promete alterar a forma como grãos, fertilizantes e minérios chegam aos mercados nacionais e internacionais.

Embora o traçado esteja localizado entre Bahia e Tocantins, especialistas avaliam que os impactos podem ultrapassar as fronteiras desses estados e alcançar importantes polos do agronegócio brasileiro, incluindo Mato Grosso, responsável por uma das maiores produções de soja, milho e algodão do país.

Com extensão originalmente planejada de 1.527 quilômetros, a FIOL foi concebida para ligar o município de Ilhéus, no litoral baiano, a Figueirópolis, no Tocantins, criando uma nova alternativa de escoamento para cargas destinadas à exportação.

Ferrovia nasce para atender agro e mineração

O projeto foi estruturado para transportar principalmente minério de ferro e produtos agrícolas.

No primeiro trecho, entre Ilhéus e Caetité, a expectativa é atender a produção mineral da Bahia, conectando-a ao Porto Sul, um dos principais empreendimentos logísticos planejados para a região.

Já os trechos seguintes aproximam a ferrovia das áreas agrícolas do oeste baiano, onde a produção de soja, milho e algodão cresce ano após ano.

Estudos de demanda apontam que aproximadamente 80% das cargas previstas para o corredor ferroviário serão compostas por granéis agrícolas.

Entre os produtos com maior participação projetada estão:

  • Soja (46%);
  • Milho (28,5%);
  • Farelo de soja (6,2%);
  • Fertilizantes;
  • Outros insumos agrícolas.

O que isso pode representar para Mato Grosso?

Mesmo sem cruzar diretamente o território mato-grossense, a FIOL integra uma estratégia nacional de expansão ferroviária que pode beneficiar produtores do estado.

Mato Grosso lidera a produção brasileira de grãos e enfrenta desafios históricos relacionados ao transporte da safra. Grande parte da produção ainda depende do modal rodoviário para percorrer centenas ou até milhares de quilômetros até os portos.

A ampliação das conexões ferroviárias no Centro-Oeste tende a criar novas rotas logísticas, reduzir custos de transporte e aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.

Além disso, a integração entre FIOL, Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO) e Ferrovia Norte-Sul poderá ampliar as alternativas para o escoamento da produção agrícola da região.

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Projeto foi dividido em três grandes etapas

Para viabilizar a execução, a ferrovia foi separada em três segmentos:

FIOL 1

  • Ilhéus (BA) até Caetité (BA)
  • Extensão de 537 quilômetros

FIOL 2

  • Caetité (BA) até Barreiras (BA)
  • Extensão de 485 quilômetros

FIOL 3

  • Barreiras (BA) até Figueirópolis (TO)
  • Extensão aproximada de 505 quilômetros

Juntos, os trechos formam os 1.527 quilômetros que tornaram o projeto uma das maiores iniciativas ferroviárias do país.

Corredor ferroviário pode receber bilhões em investimentos

O planejamento mais recente prevê a integração da FIOL com outros corredores estratégicos.

Os estudos do chamado Corredor Ferroviário Leste-Oeste reúnem a FIOL 2, a FIOL 3 e a FICO 1, totalizando cerca de 1.708 quilômetros de infraestrutura ferroviária.

O investimento estimado para esse conjunto de obras chega a aproximadamente R$ 28,5 bilhões.

A expectativa é criar uma malha capaz de conectar áreas produtoras do interior brasileiro aos portos e aos principais corredores ferroviários nacionais, fortalecendo a logística do agronegócio e da mineração.

Desafio ainda é concluir as obras

Apesar do potencial econômico, a ferrovia ainda não opera de forma contínua em toda a sua extensão.

Os diferentes trechos encontram-se em estágios distintos de execução e concessão.

Especialistas apontam que os benefícios logísticos dependerão da conclusão das obras, da implantação de terminais de carga, da integração entre os corredores ferroviários e da capacidade operacional dos portos envolvidos.

Mesmo assim, a FIOL já é vista como uma das estruturas mais importantes para o futuro da logística brasileira, especialmente em um cenário de crescimento da produção agrícola no Centro-Oeste e de busca por alternativas mais eficientes para transportar grandes volumes de carga.

Para estados produtores como Mato Grosso, cada novo quilômetro de ferrovia representa a possibilidade de reduzir custos, aumentar competitividade e aproximar a produção dos mercados consumidores em todo o mundo.

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