O Ministério dos Transportes estabeleceu prazos arrojados para a Ferrogrão, ferrovia de 933 km que ligará Sinop (MT) aos portos de Miritituba (PA). O projeto é a grande aposta dos produtores do Centro-Oeste para baratear o frete da soja e do milho, cujas safras em Mato Grosso devem saltar de 88 milhões para 144 milhões de toneladas na próxima década.
Entretanto, o caminho para os trilhos não é simples. Enquanto o governo prepara um road show internacional para atrair investidores, especialistas alertam para a baixa viabilidade financeira sem subsídios estatais bilionários e para o travamento jurídico no STF devido ao traçado que corta o Parque Nacional do Jamanxim (PA).
📊 Raio-X da Ferrogrão: Números e Investimentos
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🛤️ Detalhes do Projeto Greenfield
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⚖️ Os Impasses: Economia vs. Meio Ambiente
A viabilidade da Ferrogrão é alvo de um intenso debate entre consultores e representantes do setor produtivo:
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Visão dos Críticos: O consultor Claudio Frischtak (Inter.B) afirma que o sucesso da licitação é improvável. Ele argumenta que o custo é elevado demais e a competição com outros modais (como a BR-163 e a BR-364) exige um subsídio estatal de cerca de R$ 30 bilhões, recurso que o governo não possui. Além disso, aponta que a construção poderia inutilizar trechos da BR-163 como estrada de serviço.
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Visão dos Defensores: A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) defende a obra como fundamental. O norte de Mato Grosso é a região com maior expansão produtiva do país e a ferrovia reduziria drasticamente o custo logístico, hoje estimado em US$ 50 por tonelada no trajeto rodoviário.
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A Questão Ambiental: O traçado corta 49 km do Parque Nacional do Jamanxim. O governo tenta contornar uma ação no STF ocupando apenas a faixa de domínio da já existente BR-163, tentando evitar a supressão de vegetação e garantindo a segurança jurídica para o leilão.
🔄 Alternativas no Radar
Especialistas sugerem que, caso a Ferrogrão não avance, a solução mais viável seria a conclusão da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), ligando Lucas do Rio Verde (MT) a Mara Rosa (GO), conectando-se à Ferrovia Norte-Sul. Esta opção utilizaria áreas já antropizadas, reduzindo o impacto ambiental.
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