Depois da forte recuperação registrada pelo feijão preto em janeiro, fevereiro tem sido marcado pela valorização expressiva do feijão carioca no Brasil. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP aponta que a média parcial do grão carioca neste mês, considerando dados até o dia 12, já supera em mais de 20% o valor médio de janeiro, com regiões onde a valorização passa dos 30%. O movimento reforça a percepção de mercado mais ajustado, impulsionado principalmente por limitações na oferta.
Pesquisadores indicam que a sustentação dos preços está ligada às dificuldades de colheita provocadas pelo clima e também à redução de área tanto na primeira quanto na segunda safra. Esse cenário contribui para uma disponibilidade menor do produto no mercado interno, com projeções indicando que o volume total disponível pode ser o menor dos últimos dez anos no Brasil.
Dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reforçam esse cenário. A estimativa é de uma safra nacional de feijão em 2,97 milhões de toneladas, o menor volume dos últimos quatro anos, desde a safra 2021/22. Quando somados os estoques iniciais e as importações, a disponibilidade interna deve alcançar cerca de 3,09 milhões de toneladas, volume considerado o mais baixo em uma década, desde 2015/16, quando o total foi estimado em 3,04 milhões de toneladas.
A combinação entre oferta restrita e dificuldades produtivas mantém o mercado atento ao comportamento climático e ao ritmo da colheita nas próximas semanas, fatores que devem seguir influenciando diretamente a formação dos preços ao produtor e ao consumidor.
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