Etanol hidratado recua em São Paulo após quase dois meses de alta

Movimento está relacionado à necessidade financeira de usinas e à abertura de espaço nos tanques, segundo o Cepea

As cotações do etanol hidratado voltaram a recuar no mercado paulista após quase dois meses de altas consecutivas. Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o movimento está relacionado, principalmente, à necessidade financeira de algumas usinas e à busca por espaço para armazenamento nos tanques.

Apesar da pressão sobre os preços, as chuvas recentes registradas em boa parte das regiões produtoras limitaram a oferta do biocombustível. Com as condições climáticas desfavoráveis à colheita e à moagem, algumas unidades reduziram o volume disponibilizado para negociação.

Usinas reduzem oferta com avanço das chuvas

De acordo com o Cepea, o cenário de menor disponibilidade ocorre em um momento de ajustes no mercado. Enquanto algumas usinas ampliaram a oferta para fazer frente às necessidades financeiras e de armazenamento, outras restringiram as vendas diante das condições climáticas.

Esse comportamento contribuiu para um ambiente de negociações mais cauteloso no mercado paulista, com vendedores e compradores acompanhando os próximos movimentos dos preços.

Distribuidoras aguardam novos movimentos

Do lado da demanda, algumas distribuidoras priorizaram a retirada de volumes de etanol hidratado que já haviam sido adquiridos anteriormente. Com os estoques contratados sendo movimentados, parte dos compradores optou por aguardar uma definição dos preços no curtíssimo prazo antes de realizar novas compras.

Mesmo com a recente queda das cotações, o ritmo de comercialização permanece acima do registrado no ano passado.

Volume negociado supera 2025

Dados do Cepea mostram que o volume médio semanal de etanol hidratado negociado em setembro deste ano está 57,7% acima do registrado no mesmo período de 2025.

O dado indica um mercado com maior movimentação comercial na comparação anual, ainda que as condições climáticas, a necessidade de caixa das usinas e o comportamento das distribuidoras estejam influenciando o ritmo das negociações e a formação dos preços.

O cenário das próximas semanas deve continuar sendo acompanhado de perto pelos agentes do setor, especialmente diante dos efeitos das chuvas sobre a oferta e da estratégia de compra das distribuidoras.

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