CTNBio aprova retirada do Pará da zona de exclusão do cultivo de algodão transgênico

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) autorizou o plantio de algodão geneticamente modificado (GM) no estado do Pará. A decisão foi tomada no dia 12 de março, com base no parecer técnico científico da Embrapa. O estudo concluiu que não há evidências da existência de algodoeiros silvestres ou nativos no Pará e que a Restrição ao cultivo de algodoeiros geneticamente modificados no estado pode ser retirada sem prejuízo para o conhecimento, o uso e a preservação da diversidade genética das variedades Gossypium barbadense e Gossypium hirsutum. Essas variedades ocorrem em residências urbanas e rurais para uso medicinal em todo o estado do Pará.

O pedido para que o Pará saísse da zona de exclusão partiu da Aprosoja Pará e contornou com o apoio da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão – Abrapa e da Secretaria de Agricultura de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca do Pará. Em 2023, a CTNBio já havia liberado a produção de algodão transgênico no município de Santana do Araguaia.

As áreas de exclusão foram definidas pela CTNBio em 2005, quando foi aprovado o cultivo do primeiro algodão GM no Brasil, com o objetivo de preservar a variabilidade de algodoeiros não cultivados (nativos e naturalizados) da possibilidade de fluxo gênico com algodoeiros GM. Segundo o pesquisador da Embrapa Algodão Paulo Barroso, um dos autores do documento que embasou a criação da zona de exclusão, “essa foi uma medida de biossegurança dinâmica, que deveria se ajustar a novos fatos e ao avanço do conhecimento”.

O Pará é o quarto estado a ser retirado da zona de exclusão depois de Tocantins, Roraima, Rondônia, e regiões do Mato Grosso.

Com a liberação, os agricultores paraenses agora têm uma nova possibilidade de cultivo, além do algodão convencional, que já é permitido em todo o estado. “A experiência do Pará com o cultivo de algodoeiros convencionais, somada ao histórico consolidado de cultivo seguro de algodoeiros geneticamente modificados em outros estados brasileiros, reforça essa conclusão ao indicar que o eventual fluxo gênico a partir de trabalhos comerciais não deve representar risco adicional à conservação da diversidade de Gossypium não cultivada no estado”, conclui o parecer da Embrapa.

Sobre a pesquisa

Uma pesquisa que embasou a liberação do cultivo do algodão transgênico no Pará foi realizada em parceria com a Embrapa Amazônia Oriental (Belém, PA) e incluiu literatura científica (relatos históricos, livros e artigos), pesquisa em herbários, levantamento em campo e análises técnicas. Ao todo, foram realizadas cinco expedições ao estado do Pará para atualizar o conhecimento sobre os algodoeiros não cultivados comercialmente. “Somadas, as expedições tiveram duração efetiva de 78 dias, o que representou o maior esforço para a avaliação e coleta de germoplasma feita pela Embrapa Algodão em seus 50 anos de história”, relata.

Conforme o relatório, a amostragem abrangeu 686 pontos distribuídos em 86 dos 144 municípios do estado. Os municípios estavam em 19 das 22 microrregiões e todas as mesorregiões paraenses. Nestes locais, foram encontradas 1.772 plantas adultas e 783 jovens. Nenhuma planta foi encontrada em ambientes naturais. Todos estavam presentes em locais antropizados, principalmente em quintais e em frente das casas, para uso como planta medicinal.

Cultivo do algodão no Pará

O Pará é o décimo estado com maior área de cultivo com culturas temporárias, somando cerca de 2 milhões de hectares em 2024, segundo estimativas do IBGE. A soja é a cultura com maior expressão com 1,1 milhão de hectares, correspondendo a mais de 56% da área total cultivada. O cultivo de empregos temporários ocupa principalmente a região leste do estado e outra região mais a oeste do estado, numa área que abrange os municípios de Santarém, Mojuí dos Campos e Belterra.

“Considerando os especialistas da cultura do algodoeiro, a cultura provavelmente ocupará essas áreas agrícolas, sendo cultivada em rotação com outras culturas anuais ou em sequência, como cultivo de segunda safra (safrinha) ou ainda as áreas de pastagens, que representam a maior área destinada à agropecuária no Pará. As atividades de algodão não deverão ser um fator de abertura de novas áreas”, afirma o chefe-geral da Embrapa Algodão Nair Arriel. (com Edna Santos/Embrapa)

Google Notícias
Siga o CenárioMT

Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.