O mercado de feijão segue marcado por demanda enfraquecida e recuo nos preços em grande parte das praças acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Segundo o Centro de Pesquisas, agentes da indústria indicam estar abastecidos, o que tem limitado o ritmo de reposição e contribuído para novas quedas nas cotações ao longo da última semana.
Apesar do movimento de baixa recente, as médias registradas na parcial de março, até o dia 19, ainda permanecem acima das observadas em fevereiro, indicando que o mercado vinha operando em patamares mais elevados anteriormente.
No caso do feijão carioca de melhor qualidade, com notas 9 ou superiores, os preços também recuaram, influenciados principalmente pelo avanço da colheita na região Sul do país. Em outras regiões, a necessidade de liquidez por parte dos produtores — que buscam “fazer caixa” — tem reforçado o movimento de desvalorização.
Para os lotes de feijão carioca com notas entre 8 e 8,5, o escurecimento dos grãos tem sido determinante na estratégia de venda. Diante da possibilidade de perda de valor associada à qualidade, muitos produtores têm priorizado negociações mais rápidas, mesmo com preços menores.
No segmento do feijão preto, o cenário também é de pressão sobre os preços. De acordo com pesquisadores do Cepea, o desequilíbrio entre oferta e demanda resultou em quedas generalizadas nas cotações ao longo da semana nas principais regiões produtoras.
No campo, dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a colheita da primeira safra já alcançava 65% da área nacional, superando os 61,8% registrados no mesmo período do ano passado. Ainda assim, o índice permanece ligeiramente abaixo da média dos últimos cinco anos, que é de 67,7%.
O cenário atual reforça um mercado pressionado pelo aumento da oferta e pela demanda mais contida, exigindo maior cautela dos produtores na definição de estratégias de comercialização.
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