Diesel sobe e federação aponta aumentos abusivos e privatização como causas

A Federação Única dos Petroleiros atribui a alta recente do diesel a margens abusivas e mudanças estruturais no setor de combustíveis.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) afirmou nesta quarta-feira (18) que a recente alta no preço do diesel está ligada a distorções estruturais no mercado de combustíveis. Segundo a entidade, fatores como margens consideradas abusivas e a privatização de ativos estratégicos ajudam a explicar a escalada nos preços ao consumidor.

A organização, que reúne sindicatos do setor de óleo e gás, aponta que decisões tomadas em gestões anteriores, como a privatização da BR Distribuidora, contribuíram para reduzir o controle público sobre a cadeia de abastecimento. Para a FUP, esse cenário favorece repasses mais rápidos e elevados ao consumidor final.

De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do diesel S10 subiu cerca de 12% entre a primeira e a segunda semanas de março, passando de R$ 6,15 para R$ 6,89 por litro.

A entidade reconhece medidas recentes do governo federal para conter os aumentos, como a redução a zero de tributos federais e a concessão de subsídios de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores. Também foi proposta a isenção de ICMS sobre o diesel importado por parte dos estados.

No cenário internacional, a alta do petróleo tem pressionado os preços. O barril do tipo Brent chegou a cerca de US$ 108, acumulando valorização aproximada de 55% em um mês. O movimento está relacionado a tensões no Oriente Médio, que afetam a oferta global.

Além disso, o Brasil importa cerca de 30% do diesel consumido, o que amplia a exposição às oscilações externas. A FUP avalia que essa dependência contribui para a volatilidade dos preços internos.

No último sábado (14), a Petrobras reajustou o diesel A em R$ 0,38 por litro, vendido às distribuidoras. Ainda assim, segundo dados do mercado, o valor praticado nas refinarias permanece abaixo da paridade internacional.

Para a federação, mesmo com esforços da Petrobras para moderar reajustes, a estatal não tem controle sobre o preço final ao consumidor, especialmente após a venda de ativos no segmento de distribuição.

A entidade também destaca que o aumento do diesel tem efeito cascata na economia. A elevação impacta diretamente custos de transporte, alimentos e serviços, contribuindo para a pressão inflacionária.

No cenário geopolítico, a tensão envolvendo o Irã e aliados ocidentais levanta preocupações sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás. Eventuais restrições na região podem intensificar ainda mais a alta dos preços globais.

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