COP30 consolida 56 decisões e define caminhos para ação climática global

Relatório executivo da conferência realizada em Belém reúne acordos e estabelece metas para financiamento, florestas e transição energética.

A presidência da COP30 divulgou nesta terça-feira (17) o relatório executivo da conferência climática realizada em Belém, em novembro de 2025, reunindo os principais resultados e diretrizes para a implementação de políticas globais nos próximos anos.

O documento consolida 56 decisões aprovadas por consenso entre os países participantes, abrangendo temas como mitigação, adaptação, financiamento climático, tecnologia e compensação por perdas e danos.

Segundo comunicado oficial da organização, os acordos devem impulsionar transformações econômicas, fortalecer a resiliência das sociedades e contribuir para a restauração de ecossistemas. A avaliação é de que a implementação das medidas dependerá do comprometimento contínuo das nações envolvidas.

Financiamento e metas climáticas

Entre os principais avanços, o relatório destaca a meta de mobilizar US$ 1,3 trilhão em financiamento climático até 2035, incluindo pelo menos US$ 300 bilhões em recursos públicos. Também foi acordado o compromisso de triplicar os investimentos destinados à adaptação.

Outro ponto relevante é o fortalecimento das políticas de adaptação, com a criação de indicadores globais para monitorar resultados. Ao final da conferência, 122 países já haviam apresentado suas contribuições climáticas, marcando um novo ciclo de compromissos internacionais para redução de emissões.

Diretrizes estratégicas

O relatório apresenta três grandes frentes para orientar a ação climática global. Entre elas está o plano de transição para o afastamento gradual dos combustíveis fósseis, com foco em uma mudança justa e equilibrada, além da meta de zerar o desmatamento até 2030.

Outro eixo prevê a reversão do desmatamento e da degradação florestal, reforçando o papel das florestas no enfrentamento das mudanças climáticas e no desenvolvimento sustentável.

Já o plano conhecido como Mapa do Caminho de Baku a Belém concentra esforços na mobilização de recursos financeiros, especialmente para países em desenvolvimento, alinhado às metas do Acordo de Paris.

A presidência também lançou o Acelerador Global de Implementação, iniciativa voltada a apoiar a execução rápida e em larga escala das metas climáticas nacionais.

Proteção de florestas

Um dos destaques foi a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, voltado à conservação e ao uso sustentável de florestas em países tropicais. O mecanismo combina investimentos públicos e privados com base em resultados.

Ao todo, 52 países e a União Europeia aderiram à proposta, que busca garantir financiamento contínuo e previsível para a proteção ambiental.

Questões sociais e climáticas

A conferência também abordou temas sociais, como a Declaração de Belém sobre o Combate ao Racismo Ambiental, que reconhece a desigualdade na exposição de populações vulneráveis aos impactos climáticos e reforça a necessidade de políticas baseadas em direitos humanos.

Outro documento relevante foi a Declaração sobre Fome, Pobreza e Ação Climática, apoiada por 44 países. O texto aponta que eventos climáticos intensificam a pobreza, a insegurança alimentar e os desafios de saúde pública.

Os signatários defendem ampliação de sistemas de proteção social, apoio à produção de alimentos e investimentos em adaptação, além de medidas para fortalecer comunidades locais.

Próximos passos

O relatório também projeta a continuidade das negociações internacionais e a preparação para a COP31, prevista para 2026 em Antalya, na Turquia.

A expectativa é de que os compromissos firmados em Belém avancem para a fase de التنفيذ, com ampliação do financiamento e maior engajamento global para garantir resultados concretos no enfrentamento das mudanças climáticas.

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